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Quarta-feira, Novembro 22, 2006
by WILSON T
O homem andava imaginando futuros.
Nas ruas tardias daquele Outono lá ia ziguezagueando a folhagem amarelada que descia no vento. Aquele manto deixava-o docemente angustiado com a beleza da vida. Às vezes a vida é mesmo boa
e se não houver doença
(já dizia a avó Joana)
é uma maravilha.
(e ela até dizia é bela e amarela)
Quem nunca se sentiu inclinado para o chão amarelo e castanho do Outono. Ficar ali só descontando lentos segundos Fazendo parar a inevitabilidade.
(lembro-me sempre de um filme sobre o Central Park com uma atriz moreninha com uns olhos enormes pretos e um gajo com um sobretudo jeitoso preto e mesmo à maneira)
O Outono é coisa que existe em qualquer lado. Mesmo no Sudoeste Asiático onde só há duas estações. É um livro do qual deixamos voar páginas
e nos enebriamos em gotas de chuva. É sempre um fim de tarde com mar e sol
onde quer que seja. Todo o mundo girando. Toda a alma se apercebendo.