Escrita Solta

3.9.06


vertigem


toma nas tuas mãos o meu vôo,
as imperceptíveis asas recolhidas
à concha dos teus dedos.

sentes como estão trêmulas ,
como te tocam suaves?

é que todo vôo navega
até o porto.

depois é voragem,
vertigem.


silvia chueire

(pedido emprestado à Sílvia Chueire. do seu magníficoEugenia in the Meadow)


Lentamente

Não nos pertence a noite nem o dia
nem a luz revelando o desalinho
em que ficou a nossa cama.
Tão-pouco nos pertence a maresia
que em nossos corpos como um vinho
lentamente se derrama.

Não nos pertence a clara madrugada
nem o pálido azul do fim de tarde.
Apenas nos pertence
esta dor que pensámos adiada
mas por dentro nos arde
e lentamente nos vence.

Torquato Luz, 2006

(pedido emprestado ao Torquato Luz. do seu magníficoOfício Diário)


2.9.06


A noite é um mar. Sim
aceito isso.
Uma distância. Um sono
silêncio.
Ouvi a tua voz dizer-me uma impossível travessia. Maldita
que me atiraste à onda morta.
Não há barcos connosco.


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