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Quinta-feira, Agosto 24, 2006
by WILSON T
Fui deixando de escrever.
Estava um pouco cansado de tantos visitantes. Um excesso pernicioso às palavras
ruído demasiado onde se quer silêncio.
Não
não é arrogância.
Chegavam até aqui por pesquisa no google e no altavista
na pesquisa aparecia
gajas núas
mulheres núas também
gajas boas
mulheres boas também
bucetas e até vaginas
grandes pirilaus imagine-se
tits que não posso dizer em português
fuck também não
e filmes ou movies.
Não volto a escrever enquanto não decifrar o enigma
que naked girls é coisa que aqui nunca coloquei
(não é que não fosse melhor do que o que escrevo)
muito menos dicks ou penis.
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Quinta-feira, Agosto 17, 2006
by WILSON T
Nenhuma palavra será dita.
Estarão escritas nas mãos as consoantes
E nos olhos as vogais que as ligam.
Do copo sairá a melodia
E a dança, meu amor, será o instante.
Elipse depois de Sílvia Chueire
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Terça-feira, Agosto 08, 2006
by WILSON T
Da-me os teus braços
a agasalharem-me
e mergulharei neste poema,
no abismo,
antes que o dia amanheça.
Traremos o mundo para dentro
e o ensinaremos.
Nossa nudez o redimirá
e nenhuma palavra será dita
senão as amorosas.
Dá-me os teus lábios
a percorrem meu corpo despido
e esquecerei tudo por ti.
Silvia Chueire depois de 1.
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Quarta-feira, Agosto 02, 2006
by WILSON T
Escrita Solta
Este blog já tem 3 anos. Uau.
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Quarta-feira, Agosto 02, 2006
by WILSON T
1.
Ela dizia-me
-- Não podemos.
E abraçávamo-nos docemente. Tranquilamente como se
(A eternidade pode ser coisa de segundos. Um olhar.)
o tempo e o espaço
o imaterial e o físico fossem a mesma coisa.
Eu dizia silêncios. E nos olhos dela via lágrimas impossíveis
oceanos fundos onde nada mais existia. Só aquele momento
só aquele momento contava
e abraçavamo-nos com mais força. Quase nos fundíamos num único sorriso melancólico.
-- Talvez pudessemos fugir -- dizia-lhe para dar sentido à despedida que sabíamos esperar-nos.
Conseguíamos ouvir a redundante frase do mar e dos grilos tropicais e das ondas de calor e do suor
-- Para onde.
dizer-nos que a vida é esquecimento.
-- Para um lugar na ausência de tudo. Uma praia.
-- Mas onde
não podemos -- sussurava pedindo-me a coragem que tudo condenaria. -- Tudo nos aguarda lá fora.
Esfreguei os lábios na sua pele com vontade de a despir do mundo
como se pudessemos
nús
ser um verso final e imutável
impossível
de um permanente poema. Um poema nú
na ausência de tudo.