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Quinta-feira, Julho 27, 2006
by WILSON T
Deriva XXIII
Pronto. Ponto.
Acabou a deriva ou as derivas
ate nova derivacao.
E nada melhor do que com o belo numero papal XXIII.
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Quarta-feira, Julho 19, 2006
by WILSON T
Deriva XXII
Quando era pequeno
acabei de lembrar
queria ser o Fábio Júnior ou melhor um escritor que ele fez numa novela
porque gostava do penteado que ele tinha
e eu tinha cabelos demais encaracolados.
Agora já tenho os cabelos mais parecidos com os do Fábio
mas ainda não sou aquele pilantra que fumava
fumava
fumava
escrevia
escrevia
e até teve que publicar com outro nome
um belo livro sofrido. Tudo isto com aquele cabelo.
Também gostava do sorriso do Fábio
pilantra
um sorriso de escritor e aquele cabelo.
Estilo estilo estilo
Onde está o Fábio.
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Quarta-feira, Julho 12, 2006
by WILSON T
Deriva XXI
Quem conhece realmente o mundo.
É execrável a consciência das coisas sem beleza
um ditador sentado em esforço numa sanita dourada
o chefe tirando macacos do nariz
um assassino de cócoras em aflição no meio do nada
um violador pelas pernas fazendo chichis
e nesse momento
talvez
talvez
talvez
o mundo nem seja aquilo que se diz.
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Sábado, Julho 08, 2006
by WILSON T
Deriva XX
Afastei-me das palavras neste silêncio autoinquiridor. Andei por aí
à procura de chão.
Sempre as mesmas perguntas
sem respostas. Muito provavelmente mal equacionadas.E talvez não. O mundo
o meu mundo
não é redondo mas antes uma infinitude plana. As próprias questões que me coloquei desvanereceram num fim de tarde
e ficou apenas o azul do mar transbordando no céu. A exacta linha do horizonte que julgamos lá atenuou-se
se não desapareceu. E perdi o equilíbrio.
Atirei-me ar dentro para enlouquecer-me do nada. Do indescritível.
E andei olhando a areia das coisas
os fragmentos de madeira de barcos que desapareceram as conchas de bichos que morreram
lixo
frases soltas de algum diálogo afogado na desgraça dos amantes.
E os barcos
terão morrido de amor. Como os bichos.