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Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006
by WILSON T
-- Bom dia senhor doutor. Como vai.
-- Senhor engenheiro obrigado. A saúdinha aguenta-se
é o que é preciso
não é.
-- Haja saúde que vamos fazendo pela vida.
-- O Estado é não nos deixa fazer mais
os impostos
os ministros
tudo a fazer de conta
pá.
-- Pois pois.
-- Ainda agora estive com o meu contabilista a ver se consigo pagar menos IRS
o tipo sabe lá uns esquemas
é que doutra maneira não dá
pá.
-- Pois pois.
-- Qual Europa. Europa é para o norte. Aqui não ganhamos para o pão.
-- Pois pois. O senhor doutor é que sabe. É bem verdade o que diz.
-- Não tenha dúvidas
anda tudo a fugir. Tudo a fugir
é transversal à sociedade
pá.
Uma vergonha
é o que é. Falta de cultura
pá.
-- Pois pois.
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Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006
by WILSON T
Isolado da rua por um vidro
o dia parece-me belo. Como aliás outras coisas
o que não é nada de extraordinário. É até bem ordinário dizer-se uma coisa destas.
Lá fora há vento gelado
cá dentro há um mofo quente. Lá fora e cá dentro
que lindo.
-- Olha aquelas árvores entraram em florescência.
-- Parecem-me japonesas. Aquelas dos desenhos. Como se chamam.
-- Oh pá.
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Quarta-feira, Fevereiro 22, 2006
by WILSON T
Voltando
Caí os olhos sobre a relva. O dia estava cinzento e frio cá dentro. Fora de mim
chuvia uma água que me parecia inútil e talvez até fosse. As certezas são sempre um mau cenário para a vida
e assim tudo se resume a um caminho para nenhures. Tudo bem tudo melhor. Pegarei no pápis
sim
escrever a lápis para poder apagar ou resistir à pulverização. Assim nos aturem.
(Um dia destes ainda vou usar vírgulas.)