Escrita Solta

25.12.05


Corpo atirado à água da tua boca
auscultando o céu que pende
sobre a língua que procura
lamber o uni (co) verso.


Corpo esquecido nas ondas
Corpo em demanda
Pousado numa almofada
Bordada em fundos de mar
Corpo enrolado nas chamas
Matéria inteira, grosseira,
Gume afiado
Caravela de esperanças
Soltando lembranças
Dentro de um coração apertado
Corpo em ritmo de memória
Corpo envolto em algas
Tempestade de desejo

Palavras em Linha


Feliz Natal.

Saúde. Paz. Amor. O abraço humano.


16.12.05


de ti


tenho de ti uma quase-memória
tão nítida como se o fosse.
a lembrança vívida do desejo
a dar passos líquidos,
lentos.
tenho de ti a sensação oceânica
de entrega e posse,
do corpo esquecido nas ondas.

num universo rítmico.


silvia chueire


10.12.05


Tenho estado calado. O silêncio preenche o papel na minha frente. Limito-me
para não dizer asneiras
a enviar-te um beijo em forma de caravela. E ele aí vai ganhando caminhos
céus e tempestades
para aportar no mistério do encontro com novos lábios. Nas praias do teu país da tua calmaria
do teu lugar imaginado
como se houvesse paz entre nós entre todos.
Esse mar todo profundo é mais do que a espuma onde navegamos. E este beijo leva
na sua infinita pequenez
esse mergulho de esperança. Um silêncio que te escuta.


4.12.05


Alcançar as nuvens?
Dar asas aos nossos ventos
Exportar os pesos quesilentos
Encher de ânimo o aeróstato
E as nuvens são já ali por certo.

Bento Barbosa


Olhos dormentes, soluços ao luar, choros ao vento...
Triste perfis os mais vagos contornos

Noites de saudades remotas que eu recordo
Noites de solidão que do além despertam
Junto à elas ilusões, de um dia te teres de novo em meu peito.
mas que na imenso azul de estrelas fantasia, Bordo de dourado seu nome
Vou constelando de visões ignotas
Sutís palpitãções á luz do Luar
Que minhas lagrimas refletem a presença sua ...

Vanessa Melsi


Ninguem abra sua porta;
Para ver o que aconteceu,
Saimos de braços dados;
A solidão e mais eu.

Ela não sabe meu rumo;
Eu não lhe pergunto o seu,
Não posso perder mais nada;
Se o que houve já se perdeu.

Vou pelo vento da noite
Á procura de tudo que és meu
A dor de um amor que se esconde
Mas que na verdade nunca foi seu.

Vanessa Melsi


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