Escrita Solta

31.10.05


Direi que amo
direi mel
saliva

Direi ferida
lábios
madressilva

Direi febre
flancos
ambarina

Direi
e sob as palavras oiço
nenhum rumor de lume

Soledade


27.10.05

25.10.05


Que pensar daquele poste de iluminação.
A sua luz amarela e fraca corta verticalmente este pedaço de noite que é o meu horizonte. À sua volta perdem-se insectos voadores. Mosquitos e outras coisas. Coisas de que nunca vou saber o nome vulgar. Muito menos o nome científico e quantas asas têm e quantas antenas têm e
(Afinal porque digo eu isto em voz alta. Porque parei eu o carro no meu da estrada e fiquei a olhar para um poste com mosquitos em torno dessa luz amarela e fraca e
que coisa fazem eles para comer e para se reproduzir. De que maneira são importantes para aquilo a que se chama equilíbrio ecológico ou meio ambiente ou qualquer coisa assim.
que afinal me deteve como se nela houvesse uma resposta.)
Apeteceu-me ficar ali. Parado. E não era capaz de desligar o carro. Alimentava a ansiedade com o seu barulho. Como se respirasse o fumo do escape
e o fumo do escape tivesse altas doses de nicotina. Fiquei ali uma boa meia hora. Olhei aquele poste de iluminação uma insistente meia hora de desperdício.
-- Quantas meias horas tem uma vida -- perguntei para o alto. E perguntei também
-- Que fazem as pessoas a esta hora.


18.10.05


com asas sobrevoar o teu corpo em flor homem

e transformar o odor da tua saliva em pólen

pousar as patas nos teus lábios
sugar-te
fazer-te mel

e nem saberes

lilly rose


12.10.05


se puderes agarrar o que eu vou atirando
se o mel te tocar e te arder uma ferida que não conhecias
se te humedecerem os meus salpicos felinos

e parares espantado
e depois te voltares
para só encontrares o ar que sopra
sobra de mim

e se não fores o amo que lança a águia
nem o mestre que doma o cão

sê o homem de ânimo nas mãos
aquele cujo corpo é querer
porque só assim
saber agarrar é poder

mrf
---
(obrigado)


11.10.05


as artérias a sangrarem
a vida a sangrar-nos

o poema desfeito
na casa desfeita.

silvia chueire
---
(obrigado)


8.10.05


Ela passava de mão dada com ele e deitava o olhar sobre as coisas.
Tinha um olhar mel. Escorregadio.
O movimento do corpo por entre as pessoas deixou doce e picante aquele momento
e do canto do olho
do mexer das pernas
lançou um incómodo vigoroso aos aprendizes de homem.


Home
Outras Escritas:
Abrupto, Arte da Palavra, Aviz, Azul Cobalto, Alice
Campo de Afectos, Crónicas Matinais, Conversas Escritas, Citador
O Desaparecido
Ene Coisas, Escrita Ibérica , EUS
EntreHistórias , Epiderme,
Harmonia do Barulho,
Kafkiano,
Leitura Partilhada, Lua, Lugar da Incerteza, Linha de Cabotagem, Lâmpada Mágica
Maizumpomonte
No Parapeito, No Arame, Nocturno com Gatos
Oficina das Ideias, Os Livros Com Letras, O Admirador Secreto
Palavras Mudas, Pickpocket,
Silêncio, Silabas Abensonhadas, Soltas , Sublinhar,
Thelma&Louise , Textos de Contracapa, Troblogdita,
umaPalavra, Uns e Outros, Universos Desfeitos
- on-line-

Who Links Here