Escrita Solta

27.2.05


Cada da Poesia actual. Mais uma vez.


22.2.05

16.2.05




1.
o outono caminha
nas nervuras da folha amarelada.
eu me calo
embora saiba da beleza
do amarelo contra o azul.

também sei que o inverno ainda virá.

Silvia Chueire

2.

a palavra cai
sobre a folha
desliza
como gota de água

ângela


15.2.05



Dia dos sem-abrigo. Só para contrariar.

os gatos, como os poetas, são os sem abrigo mais felizes desta vida.
ângela




Com humildade se agradece.


14.2.05


Casa da Poesia. Actualizado. Venham os vossos contributos.


14.

Agora à medida que se aproxima de casa pela noite adentro ouve tiros na rua. Ouve e ouve bem.
(Que também eu ouço. Isto está lindo.)
-- Isto está lindo.
Diz um amigo em sintonia de pensamento.
-- Afinal a polícia esteve aí mas ão adinatou de nada. Os tipos andam malucos. Pensam que isto é o oeste americano. Andam a ver filmes a mais.
(E eu a pensar que as balas já se compram assim com facilidade. Ou serão apenas bombas de carnaval.)
-- São mesmo tiros. Estes gajos andam malucos
(E eu a pensar.)
-- Bem. Que se lixe. Bebemos um copo.
Ele cambaleante chega a casa. Talvez.


Casa da Poesia. Actualizado. Venham os vossos contributos.


13.2.05


13.1.

Cada objecto tem limite
e potencial de movimentos.
Vou chamar-lhe swing.

O candeeiro de rua
deixou de ser imóvel.
Agora torce o tronco
e vagueia.
Mas dele
nunca cairão folhas.

O banco de jardim
retorceu as pernas
em estilo manuelino.
Mas dali
nunca lançarei
engodos de pesca.

Os prédios curvam-se
à minha passagem.
Sem chapéus.

Cada pedaço de mim
limite
potencial de movimentos
chamar-lhe swing.

Joelhos flectem,
Braços acenam,
Olhos reflectem.
Mãos
não beijam ninguém.

DivaseContrabaixos


Agradeço
a Divas e Contrabaixos a divulgação da Casa da Poesia. Peço-vos que me enviem os vossos poemas favoritos. Aqueles que entenderem. Os que mais odeiam. Digam-me as razões e serão publicadas com eles. A estória por detrás de cada poema. Como foi descoberto. Vá lá. Se gostam de poesia.


13.

Bebeu. Saiu à rua já era noite ou quase noite. A luz rarefeita fugia nos pontos de fuga das avenidas. Via quadrados. Rectângulos. Afinal as imensas janelas dos edifícios.
-- Como é possível que dois copos de vinho tenham feito isto.
Imaginava-se deslizar sobre o asfalto. Criava um mundo seu onde tudo estava bem e ao mesmo tempo mal. Criticava a vida e a morte como se houvesse solução. Não havia. Sabia disso lá no fundo. Lá no fundo.
-- Parece que o álcool
(Segundo dizem é mesmo assim. Julgo que a bioquímica explica bastante bem o fenómeno.)
me alterou todos os mecanismos de neurotransmissão. As tais de sinapses. O impulso neuroeléctrico modificou-se e todo o mundo com ele. Que maravilha.


12.2.05


12.1.

In the dark, blindly,
we touch the words.
Carefully we build the poem,
in the dark.
As if words growing from our fingers
created light.
Deep marks of sounds,
verses diven in the night.

Silvia Chueire

(magnífico Sílvia. muito obrigado. o teu contributo é muito importante para o Escrita Solta.)


8.2.05


Casa da Poesia. Actualizada com poema de Sophia. Oferta da especial Thelma.
(corrigida a mão. as minhas desculpas à Thelma por ter atribuído à Louise esta oferta.)


7.2.05


12.

I believe the nigth is wrong. with the wrong light. that's what i mean. I believe the nigth is wrong for words because the words ar not alowed. There is no space in the dark. Silence is the only music and song where we can see. In dark we can see the point.
-- Porque escreves assim pretensamente em inglês. Por que razão foges às palavras.
...(E ela a pensar que a noite era para os amantes. Para a poesia. Divagações. Eu. Que sei eu. Quem sou eu senão os dedos sobre as teclas bailando bailando o silêncio que me apetece. As letras que os dedos mandam. Divagações. Escrever escrever.)


A acompanhar.

Sugestão da Soledade. Desencontrados Ventos.
Por motivos diferentes. Sorriso Cativante.


A tua música era outra
escura
funda
nos mercados - dizem
cantam-se agora novas canções

Soledade. depois do Desenho 3.

(Um agradecimento forte à Soledade pela sua companhia tão especial e contributo para que o Escrita Solta seja um espaço melhor. Bem melhor.)


Agradecimento. Ao Tro.blog.dita. Por inserir o Escrita Solta no lugar Convocando as Palavras. Sobretudo pela companhia. É uma honra.


11.
-- E ando eu na corrente turva. Como um salmão na época da desova deveria ser capaz de subir o monte. O declive para onde os granitos afloram. Lá bem em cima onde o silêncio impera. À janela deveria saber sentar-me a uma daquelas secretárias antigas. De madeira. Ah e escrever. Escrever sem parar. Escrever com os olhos postos nos livros tudo aquilo que já foi escrito de belo. De horrorosamente belo. Ah o tempo que escorre das mãos.
...(Por que razão procura esse espaço à janela. Não lhe basta a vida tal qual ela é. Por que razão procura esse conto novo. Toda uma língua.)
Fuma-se. Fuma-se que é o melhor a fazer. Tanto tempo perdido a pensar é uma angústia. Isola-te. Isola-te nessa angústia. Escreve. Só isso rapaz.


5.2.05


10.1.

Um verdadeiro senhor do teatro impossível de esquecer!
A voz rouca e doce que possuía será sempre recordada... mesmo quando os desenhos animados, a quem a emprestou, deixarem de ser transmitidos na televisão ou quando já ninguém se recordar do anúncio da Ferrero Rocher e do famoso Ambrósio...
O actor, esse, será sempre alvo de menção na história da cultura nacional!

Maria



Desenho 4.


9.1.

Escreve-me silêncios
enquanto conversamos
todos os gestos.
É bom conversar assim,
pele e palavras
fundidas numa coisa só.
Silenciosa e plena.

Silvia Chueire


4.2.05


Casa da Poesia.
Actualizada com um poema enviado pela Rita. Obrigado.


3.2.05


Henrique Canto e Castro (1930-2005)

10.
Morreu aquele Senhor do teatro. Com aquela voz linda e funda. Lembras-te que te dizia que este tipo tem uma voz linda.
-- Este tipo tem uma voz linda. Parece-me o avô de todos. Aquele avô cómico e amigo. Emprestado. Não sei explicar. Alguma coisa na voz deste homem me diz que ele é profundamente bom.
Lembras-te. E agora o actor fugiu para os bastidores a correr.
...(Assim como se houvesse tantas palmas que se ficasse surdo. E cheio de sorrisos envergonhados.)
-- Em todas as personagens.
Lembras-te.
-- Em todas as personagens ele foi ele mesmo. Pois foi esse senhor que morreu.


9.
Que estórias loucas continuamente inundam a minha cabeça. Marés arrastando lodo e algas e sal.
-- Lá vai aquele sujeito sujo e roto. Coitado do homem. Deve ser de Leste. Odeio ver pessoas sós porque sei do seu desespero. Já é meio velhote com cabelos brancos e ar cansado. Não é justo. De que outra forma se pode dizer isto. De uma forma poética com se houvesse alguma poesia nesta merda de vida para alguns. E são tantos.
...(E sempre a pensar naquilo lá fora. E sempre cá dentro tão fundo longe.)
-- Ah que bom. Voltaste minha amiga companhia. Escreve-me silêncios na pele. Tatua-me um beijo quente.
...(Já algum tempo que não falava assim sozinho. É bom.)


2.2.05


Casa da Poesia. Actualizado.
Venham os vossos poemas favoritos.



Ervilhas - fotografia de Ana Marisa Ferreira


Memorial II.

negros. fundos. peixe. aquário mar. glu glu.

mar


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