Escrita Solta

30.1.05


Memorial I.

Para lá do olhar a intenção!

hfm


Memorial I

quando os olhos se turvam e os dedos esfriam (quando a mente enruga e os nervos estalam)

e se o ventre fende
e se a boca cospe
(e tudo se torce)

então querida
meus olhos tigre
deixas de ser
(mesmo se o sorriso é igual)
(e se as folhas caem e não as distingues)
menos um rosto numerado

DivaseContrabaixos


29.1.05



Memorial II.



Memorial I.


26.1.05


Cada da Poesia actualizada.
Mandem-me as vossas contribuições. A poesia de que mais gostam. Que mais vos marcou por alguma razão. Contem a razão. Tudo. Digam o que quiserem desde que venha poesia.


25.1.05



Desenho 2.

Uma tessitura de ilusões!
diz hfm
(obrigado)


23.1.05



Desenho 1.


22.1.05


8.2.
Eu sou mil impérios perdidos
tantos quantos os homens-ego que criei
um por cada ego desses homens que matei

Ama!

Outro império cairá
somarei 1001 egos desfeitos
sem me encontrar

DivaseContrabaixos


8.1.
Há um toque
Vibrar lento

Alguém que fala, gestua e ilude
MISTÉRIO de um mudo

Há um toque
Tristeza seca que
prega SUSTO

Alguém que escapa
Dançando sozinha
no escuro

HÁ UM TOQUE
PERSISTËNCIA SEM CLEMËNCIA

Paciência cega e surda
NINGUÉM ilude,
justifica

Acaba a cena
ou Ela
muda seca cega
dançando sozinha

ou Ela culpa louca
BEATIFICA

DivaseContrabaixos


21.1.05


Casa da Poesia. Actualizado. Aguardam-se contributos.


8.
-- Porque choras. Porque estás triste.
E acariciava-lhe o cabelo suavemente. Perturbava qualquer um o choro só e mudo daquela infeliz e
..(Sabia-se que era espancada com beijos e festas traiçoeiras. Pelo pai há já longa data.)
nada havia a fazer quanto ao seu grito. Parecia não haver remissão.
-- Diz lá o que se passa contigo rapariga. Só te quero ajudar. Não te faço mal.
..(Aposto que sabes onde já ouviste isso. Aposto que te arrepias
e os beijos vêm à tua memória)


20.1.05


Casa da Poesia. Actualizado. Aguardam-se contributos.


19.1.05


7.
De um canto entre duas paredes. Um lugar escuro. Penso nas mulheres que estão em silêncio
...(Em que pensarão as mulheres em silêncio.)
e sei que nunca conheci bem nenhuma. Ah como é estúpido tudo isso.
...(Porque nunca entenderemos bem aquilo em que pensam
...porque somos miseravelmente treinados para vos querer possuir.)
Estou a caminho de um canto. Um canto mais largo do pensamento onde cabem as minhas mulheres. Olho-vos ainda meninas e penso na minha irmã. Numa filha que hei-de ter. É diferente assim
-- Quem brincar com a minha filha terá de me encarar.
porque nem sempre olhamos as mulheres como se fossem Homens. Crianças como nós. Com medo. Medo desta vida.
...(E eu a pensar se estarei perdido em sinapses desreguladas. Ou apenas tonto dos dias. Fruto de noites mal dormidas.)
-- Já disse. Quem brincar com a minha filha leva.
Decido-me pensar só sobre isto. Que mar corre dentro de uma mulher. E
...(Que sei eu disso.)
-- Que sei eu de ti amor. Que sei eu dos teus olhos silenciosos onde leio tantas vezes apenas as minhas ansiedades. Que sei eu de ti mãe do mundo da vida do colo que tanto me acolheu em desespero em fraqueza.
...(Que sei eu disso. Queria olhar-te quando dormes.)
Hei-de olhar as mulheres quando dormem. Debruçar-me silenciosamente sobre o paredão sobre esse mar. E
adentro essa brisa
nenhuma lágrima de vergonha. Nenhuma.
...(Se alguém se mete com a minha filha. Haja silêncio. E
apenas isso.)


18.1.05

16.1.05


6.1.
o importante é estar a caminho.
é a escolha do caminho
que nos leve ao sonho,
à transformação do sonho
na realidade que o acolhe.

Silvia Chueire


5.1.
No início era o tudo. E era bom.
Lembras-te?

O primeiro. dia de escola. beijo na boca. soutien-gorge. disco da Baez. slow a dois. penso Serena. filosófo que diz O que é o tempo?

Até o segundo foi quase tudo. mas já a dúvida. guardo segredo do primeiro?
mas já o peso. a pasta preta de couro cede. a língua atreve-se. a disco emerge. usas tampões? e o filósofo que diz Que horas são?

DivaseContrabaixos


15.1.05


CASA DA POESIA.

Actualizado. Colaborações desejadas.


14.1.05


6.
Estou a caminho.


10.1.05


5.
Passam 4 meninas. Vêm da escola para almoçar. Vão para casa. Irão.
...(Carregam as suas mochilas pesadas que em Portugal o saber vai na mochila.)
Passam dois minutos depois 4 rapazes.
...(Mais atrasados no passo porque a conversa vai para o futebol para os jogos de computador e para os carros.)
Estou longe. Andam os dias apressados sem mim. Procuro correr atrás dos ponteiros mas a velocidade cansa-me. Quero ler um bom livro e olhar à volta. Só isso e parece que é pedir muito. A culpa é apenas minha que nunca soube organizar o tempo.
...(Como me incomódam as pessoas que imagino muito bem organizadas. Exagero claro. Não me incomódam nada. Eu é que nunca me dei bem com a perfeição. A culpa é toda minha. Que fazer.)
Grito. Inspiro fundo a ver se apanho algum ar que venha da praia mas a praia é distante de mim.
...(Como estará o tempo lá fora. Não apanho sol e depois é assim.)
Que bom é levar nas costas a mochila pesada de tudo e de nada. Ir à escola. Tenho saudades dos tempos de miúdo.
...(Dia cinzento este. Tenho de escrever. Tenho de escrever.)


9.1.05




não é proibido estacionar à minha porta. apenas entrar. ou violar.
as minhas portas e as minhas janelas
são os meus olhos. são também o meu coração.

ângela

(obrigado ângela pelo texto)

Aqui fechada em casa é como se não houvesse mundo.

A televisão não funciona, falta-lhe uma antena exterior. Não tenho telefone, os vizinhos acham-me estranha. Só ouço rádio.

Em casa não faço barulho.
Ele entra sozinho por uma fresta.
Ruídos de motores, de travagens, buzinas.
Vozes de pessoas, passos, gritos.

Às vezes vou lá fora e ameaço.
Como não tenho dedos que cheguem
arranco maçanetas, portadas, pedaços de vidro, estuque. Quero silêncio!

Dizem que me faltam coisas. Não acho. Tive-as todas e perdi-as.
Assim estou bem.

DivaseContrabaixos

(obrigado Divas)


7.1.05


4.2.

contas-me
que dancei
na sala
que fechei persianas

"murmuravas palavras
sem língua oficial
com sabor a doce"

(___agridoce homem doido)

"levantaste os tapetes
sacudiste a poeira
os teu olhos opacos
desempoeirados se tornaram
___doces, meu amor"

(___agridoce homem doido)

" e depois feita doida________"

(doce homem___ amor)

Louise. depois de 4.


4.1.

e depois, de há uns tempos para cá
falo comigo pelo caminho

para me entreter

às vezes canto,
cantigas de amor
sansão e dalila, ne me quitte pas

notas sem nexo

mas sobretudo converso
diz-te coisas bonitas

a luz
uma casa de pedra

outras vezes ando de mão dada com ninguém
recordando a mão cingida nos dedos de...

sonho breve, sono leve

diz-te mais coisas bonitas

risos mélicos
portões com ferrugem
loiça frágil
escrita solta

DivaseContrabaixos. depois de 4.


6.1.05


4.
Estou numa canção. Sim
em total silêncio e abstração
nessa canção que apenas o vento da memória embala.


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