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28.9.04
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Terça-feira, Setembro 28, 2004
by WILSON T
C++
Na Córsega como noutro lugar qualquer, ele aproxima-se sempre sem barulho.
Contorcionista do silêncio, promete-lhe que ela nem vai dar pela presença dele.
Ele deixa-a ir virando as páginas__rectângulo, deixando cartões no meio delas com palavras assim
___
terceiro cigarro seguido
4 da manhã-->vais dormir 3 horas
continuo a jogar à macaca em casa, para não tropeçar nos teus livros
onde aprendeste a brincar tanto tempo sozinha__(!)
__
Ela calada, deixa-lhe na pasta um aviso.
Napolioné: "és rocha de granito aquecida por um vulcão".
(depois é tempo do riso____________ cócegas de olhares
depois é tempo do virar do corpo______enchendo a vontade
Louise.
27.9.04
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Segunda-feira, Setembro 27, 2004
by WILSON T
F
Fantasia é um alado a cores escondidas nas suas imensas asas brancas que trazem debaixo a noite naturalmente imensa. Traz também estrelas cintilantes para dar. Bocados de alegria como rebuçados coloridos. Infinitamente coloridos que fazem os olhos bonitos. Fantasia faz sorrisos definitivos como setas no vazio. Procurando a felicidade que é viver no domínio da energia electromagnética ou noutra apenas potencial. O pensamento de alguém que nos bebeu. Um fotografia amarelada num baú ou 150 KB num jpeg. Suficiente.
26.9.04
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Domingo, Setembro 26, 2004
by WILSON T
D
Diurna fantasia. Infância. Desfazendo-se em pedaços de estrelas cintilantes.No início uma dor. Profunda. E depois com a velhice talvez. O que tem de ser. Despreocupando-se a vida. Pergunto. Talvez a velhice. O sonho já se apagando. E a noite a caminho num lençol voador. O branco cavalo da humilhação fatal. Alada. A ausência que nos cavalga com asas de anjo. Daí é possível que não. E que se encham cântaros de água doce regando outras flores. Alguma coisa havemos de ter sido. E algum estrume teremos deixado no húmus. Alguma coisa de luz duradoira que provavelmente nem vimos. Ou a erva daninha trepando.
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Domingo, Setembro 26, 2004
by WILSON T
C
Cansada daquilo. Bem. Cansada daquilo que as pessoas se cansam. De trabalhar. Bem cansada. Portanto. Cansada atirou-se para cima da cama. E os pés ficaram pedurados na margem. A pedir massagens ou outros favores. E de cuecas contornando as nádegas redondas se voltou de barriga para baixo. De cabeça para um livro quase quadrado. Rectângulo. Ângulo recto de joelhos. O dorso exigindo beijos largos mas subtis. Enchendo a vontade. Entre as cósegas aguardando calada o virar da página. O virar do corpo cuspido de suor. De dentro para fora uma comichão sanguínea. Na Córsega como noutro lugar qualquer.
22.9.04
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Quarta-feira, Setembro 22, 2004
by WILSON T
IV.
Não conheço este país. A pele habituada ao sol, exposta ao vento frio descascou.
Já foi tempo em que deitado no sofá me ria contigo, árvore
a ver um filme patético sobre um homem invisível.
Hoje
Cuspo para o chão. É a única maneira de trocar um olhar com alguém
Louise
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Quarta-feira, Setembro 22, 2004
by WILSON T
Tornar o intervalo menos intervalo. torná-lo a ternura sábia do amor. O abraço, a alma tomada pelo calor. Torná-lo eterno.Nunca mais o vazio.
eugênia. depois de III.
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Quarta-feira, Setembro 22, 2004
by WILSON T
Atirei-me da janela de mim à vertigem de amar. Atirei-me como quem vê uma verdade inegável. Lancei-me a um oceano cálido. Nele entrevi o universo e gravei o meu nome. Para sempre.
eugênia. depois de A
17.9.04
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Sexta-feira, Setembro 17, 2004
by WILSON T
B
Beliscou-se. E nem sequer sabia por que razão o fazia. Talvez arranhar-se fosse melhor. Coçar-se com convicta violência. Qualquer coisa que fosse intensa e minimalista e não desse muito trabalho mas servisse para se esquecer daquele momento. Atirando o corpo fora da alma. Descascando-se.
15.9.04
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Quarta-feira, Setembro 15, 2004
by WILSON T
III
Galgou angustiadamente o espaço que o ligava a casa. Percorreu o silêncio das avenidas de Lisboa. A solidão.
...........Amanhã voltarei.
Procurou gritar alto dentro do seu corpo vincando o compromisso. O compromisso de voltar.
...........Meu Deus. Que faz um homem andar pelos jardins da cidade procurando um abraço. Onde perco eu o meu olhar.
Pensando-se sentiu aquele vazio que quase faz rebentar as entranhas. Engoliu-o como se engolisse o mundo. E todas as distâncias. Era preciso voltar ao calor daquele abraço. Daquela árvore terna. Daquele intervalo.
...........Hei-de encontrar na tua casca
...........na tua robustez
...........na tua firme ligação com o mundo Talvez uma parte do mundo apenas
...........o essencial
...........a pele humana.
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Quarta-feira, Setembro 15, 2004
by WILSON T
A
Atirou-se da janela de si. Como que caindo de uns imensos olhos azuis água para dentro do sonho. E nele plantou uma árvore centenária de antigas raízes. Para estar mais perto da terra.
3.9.04
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Sexta-feira, Setembro 03, 2004
by WILSON T
Narciso.
Este espaço fez um ano. Não. Não quero parabéns. Nâo é isso que pretendo. Quero agradecer-vos as visitas. Palavras. Sobretudo a leitura. E registar o momento. É que normalmente eu esqueço os dias de aniversário. 28 de Agosto. E desta vez também me passou. Não há remédio.
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