Escrita Solta

31.8.04


II

Não existe mistério.
Cedo pela manhã, manhãs que eram só dela, tentava encontrar um jardim pouco poluído de gente e cumpria o seu ritual.________________
O ritual começou há anos quando ao acordar percebeu que já não sabia o que era um abraço. Repetia a palavra. E quanto mais a repetia mais estranha lhe parecia.
Foi quando começou o ritual.
No jardim abraçava um árvore_____

Quando te cruzaste com ela não sabias nada. Quando pensaste em tocar-lhe na mão já ela te abraçava.

Quando pensavas que estavas perdido nas malhas da tua imaginação porque ao longe uma voz chamava por ti____
_______________jenipapo
Não imaginavas que
Hoje soletras a palavra.. e feito louco és tu quem abraça uma jenipapeira no jardim da casa quando ela tarda em chegar.

Louise. depois de I.


26.8.04


I
Quando me cruzei com ela sabia que tinha de provocar um contacto físico. Talvez apenas tocar-lhe na mão. Num braço. Tinha de a fazer sentir a minha pele. E mais do que isso tinha de sentir a dela. Acreditava intuitiva e loucamente que se assim acontecesse ela ficaria irremediavelmente retida nas malhas da minha imaginação.


Digo : nasço novamente a cada chama que colore o céu. Todo o fogo de existir, nítido. Em cada célula pulsa toda a minha vida. Labareda.

eugênia. depois de De que cores e a noite XI.


Respiro o sol que se põe, a superfície lisa do rio, e me perco nas nuvens, A alma dispersa, o corpo a confundir-se com o sonho. O desejo depositado nas cores do horizonte ao longe. Assim navego, na placidez aparente.

eugênia. depois de De que cores e a noite X.


É como se parte da nossa natureza se desfizesse numa obscuridade e deslizasse lentamente para ela como fumaça. Nós perdidos nesse átimo, nesse vôo, nesse deslizar.Leves.

eugênia. depois de De que cores e a noite IX.


Tal como as nuvens não são apenas brancas também a noite se perde em incalculáveis matizes de cores...

Miss Kafka. depois de De que cores e a noite IX.


24.8.04



De que cores e a noite XI.


20.8.04



De que cores e a noite X.


De que cores e a noite IX. (texto)

Da ausência se faz o negro onde meus pulmões teimam respirar. Um fumo branco como se fosse um nevoeiro. De onde virá um D. Sebastião a cavalo salvando Portugal. Esse Portugal dentro de mim. E o que será isso. Não sei ainda. Talvez ao esfumar-se a noite fique mais clara essa ideia do que procuro. Desse país escrito com mais convicção. Talvez não. Talvez tudo seja melhor à noite. No escuro e no silêncio. No desconhecido. Sobrevivência trituradora das horas normais. Só poesia ou um samba triste. Um bom copo de vinho. Um cachimbo. A ideia suspensa na varanda para o mar de que a vida é uma coisa boa. E a maresia a prová-lo.


16.8.04


28 de Agosto de 2004 -- 1 ano.


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