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19.7.04
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Segunda-feira, Julho 19, 2004
by WILSON T
De que cores e a noite IX.
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Segunda-feira, Julho 19, 2004
by WILSON T
Sou trespassada pelo lancinante nevoeiro matinal. A manhã é longa e torna-me parte dela. Vejo melhor agora que as cores são outras - misturam-se em mim as cores da noite e os tons pastel azulados da madrugada. Amanhã virá outra igual... ou talvez não.
Miss Kafka. depois de De que cores e a noite VIII:
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Segunda-feira, Julho 19, 2004
by WILSON T
Quando me deitei levemente embalada pelo céu que escurecia, pensei que te esperava. Restei ali, na rede da varanda, a observar as nuances do céu, na certeza inabalável que virias.
Encontrei minhas próprias nuances, tantas estrelas e a gota trêmula de orvalho caindo no meu cabelo.
Mas não, tua face não. Nem tuas mãos, nem as palavras, nem o calor.
Só o silêncio que cantava uma balada. E um céu desmedido.
eugênia. depois de De que cores e a noite VIII.
17.7.04
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Sábado, Julho 17, 2004
by WILSON T
Às vezes levanta-se um nevoeiro matinal dentro do meu corpo. Fico à espera que o sol atravesse as nuvens, queime a geada e me aqueça o sangue. É uma espera sem fim. Habituei-me a viver no crepúsculo. Soube que essa era a minha condição quando, ao virar da manhã, ajoelhei-me a rezar para que a lua não partisse. Não vivo triste. O hábito é o pior inimigo da tristeza. Mas desconfio que, qualquer dia, a nostalgia vai atirar-me para o abismo. Quando tal acontecer, se vier a acontecer, passarei a ser sombra. Uma sombra distante. Mas com todas as cores do mundo.
hmbf (depois de De que cores e a noite VIII.)
15.7.04
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Quinta-feira, Julho 15, 2004
by WILSON T
Hoje de manhã assim a pressa IV. (depois de Hoje à noite III. da Louise.)
Sei-te por aí como se te pudesse esquecer. O cheiro a canela contrasta o cachimbo que teimo em fumar enquanto escrevo. É assim quando estou perto do mar. É assim quando projecto no ar o sorriso da alma quando te encerra. É assim quando aguardo a noite que me sossega como se não houvesse fim. Nem manhã alguma como a vida pede. As horas maiores do dia chegam contigo. Chegam com a noite e esse travo suave pelo soalho da casa. As tábuas da velha embarcação agora moradia ancorada nas palavras suspiram sob os teus pés de baunilha.
Há silêncio. Há um mundo recriado. E tudo cabe entre breves palavras. Nos teus olhos vejo-nos pulverizados em mil caravelas que levam amoras às índias exóticas. Que fascínio nesse mar que cabe dentro de um beijo. Silvestre.
Levanto-me da cadeira no encontro do teu corpo. Sinto nos dedos a ânsia da derme.
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Quinta-feira, Julho 15, 2004
by WILSON T
De que cores e a noite VIII.
7.7.04
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Quarta-feira, Julho 07, 2004
by WILSON T
Hoje 'a noite III.
(Louise. Depois de Hoje de manha assim a pressa III)
Esperas. sim, ficas aí olhando-me em cima da mesa da cozinha. olhas os meus medos entranhados na derme. a minha incerteza na epiderme. esperas. dispo-me para que me possas olhar toda. sei que gostas mais dos pormenores do que das evidências. Por isso deixo-me estar aqui. na mesa. pedestal. com as tuas mãos quentes fechas os meus olhos. por momentos penso que estou só. acordo com um toque de barba, pica-me como uma amora silvestre. e a boca amora diz que eu cheiro a canela provocando-me sorrisos de arrepio.
Da varanda ouve-se o espanta espíritos. é horas dos pescadores partirem.
uma chuva de amoras com cheiro a canela provoca hesitações nos cascos em avançar.
Sem rede, vou descansar no casulo da tua alma.
(não resiti à mistela das cores)
Louise
4.7.04
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Domingo, Julho 04, 2004
by WILSON T
Hoje de manha assim a pressa III.
(depois de Hoje de noite II. da Louise.)
Os teus seios são paisagens marítimas. Ondas onde repouso o meu sono meio acordado. Transpiro. É uma espécie de febre o que sinto. Mas que prazer transpirando na tua pele doce e quente. A rede baloiça ao som de Jobim e os nossos pés dançam redescobrindo-se enroscados. Que estranho dirão os veraneantes espreitando. Nunca nenhum búzio lhes cantara assim o som dos mares profundos. Uma loucura tranquila de algas ondulando aos ventos. Areias subtilmente voando sobre a duna. Outros búzios. Conchas. Nós na varanda sobre a manhã acordando. Só para esperar mais uma noite. Lentamente. Saboreando páginas trocando palavras gestos. Olhares. Aguardando aquele café só nosso na varanda sobre os escuros sons das ondas batendo o cais de madeira. À noite. É de lá que partem os pescadores para o mar. E é de lá que te espero. Vem para casa.
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Domingo, Julho 04, 2004
by WILSON T
Com um sopro espalhei as cores do espectro por um céu de azul mal definido. Formei arco iris entrelaçados, espalhei algumas estrelas e colei uma lua em quarto crescente. Pintei uma nuvem triste que chorou lágrimas coloridas. Quem me dera que todos estivessem acordados para ver.
celisol (depois de De que cores é a noite VI. a imagem)
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Domingo, Julho 04, 2004
by WILSON T
Tudo se esbate, mas permanece um rasto de fogo - o que mais dói antes de se apagar. Enfim.
Soledade (depois de De que cores é a noite VI. a imagem)
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Domingo, Julho 04, 2004
by WILSON T
as paredes da urbe
e seus nuros de cimento
jamais aprisionarão o sol.
o sol é grande
e quererá sempre anoitecer,
lançará seu raios,o querreiro,
e aquecerá minhs lágrimas
derramadas só pela beleza.
eugênia fortes
eugênia (depois de De que cores é a noite V. a imagem)
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Domingo, Julho 04, 2004
by WILSON T
há crepúsculos em que cintilam esses hemisférios: a luz que finda e o breu que se espalha. outros há que são mordomos de noite densa, insondável: crepúsculos que anunciam sem nomear...
troblogdita (depois de De que cores é a noite IV. o texto)
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Domingo, Julho 04, 2004
by WILSON T
Há noites de uma clareza que assombra. Que nos põe em guarda. Que nos deixam a certeza da brevidade de tudo. Noites de cristal.
eugênia (depois de De que cores é a noite IV. o texto)
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Domingo, Julho 04, 2004
by WILSON T
A noite é o incendiar da labareda oculta, carinhosamente escondida, do desejo.Tudo começa ao por do sol na evidência das cores refletidas no céu. Depois estende-se ao meu corpo que espera o teu. É tarde, meu amor.
eugênia (depois de De que cores é a noite III. o texto)
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Domingo, Julho 04, 2004
by WILSON T
há noites que são estradas por onde correm nossas idéias. tentamos acompanhá-las com as mãos febris, para que não nos fujam, mas a noite é um lugar vasto e vastas são também as idéias.
eugênia (depois de De que cores é a noite II. o texto)
2.7.04
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Sexta-feira, Julho 02, 2004
by WILSON T
De que cores e a noite VII.
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