Escrita Solta

26.6.04



De que cores é a noite VI.



De que cores é a noite V.


De que cores é a noite IV.

Há noites que são ilhas em espaço aberto. Um prefácio no mar dos dias. Uma adivinhação secreta e inexplicável da consciência. Do seu encontro com o barro. Com o pó. Noites que são pontuação e são tudo. São pontos de luz branca intensa. E depois parece não haver mais nada. A manhã será talvez uma frase vazia. Nada.

(depois da imagem)


De que cores é a noite III.

A noite é um carreiro na Ria. Um caminho solitário ao sabor da maresia. Do cheiro a algas. Das plantas ondulando ao vento persistente. De gaivotas garças e alfaiates partindo. A noite é a escuridão que deixa focar os sentidos. A noite é cinzenta de fria. É o lugar que aguarda o fogão a lenha crepitando. Iluminando o livro que nos apetece. Que nos acaricia a mão. O hipotético gesto.

(depois da imagem)


De que cores é a noite II.

A noite é um lugar azul. Um lugar sem espaço físico onde pairam nuvens brancas de memória. Onde regressam os cheiros e sabores procurados. Encontrados. Há um cheirinho a café tomado nas varandas do sul. Dos trópicos. Há conversas suaves ao som de grilos e cigarras. Da melancolia que cai sobre os corpos transpirados. Indolentes.

(depois da imagem)


19.6.04


De que cores e a noite IV.

Três poldras ou pegadas num oceano de luz, numa via láctea azul.

Soledade


De que cores e a noite IV.

deitei-me neste mar que é teu
que é meu,
e restei lá.
a um só tempo oceano e horizonte.
as ilhas demarcam limites,
só para que não nos percamos de nós mesmos.
ah, mas nos perdemos...
uma alucinação breve : é aí que pertenço

eugênia fortes


De que cores e a noite IV.

Noite que entoa notas agudas, causadas por ondas graves vindas de oeste, empurradas por um vento agreste, salva-me o sol que me aquece e a tua mão que me adormece. As tuas cores eu não vi. Com a melodia que trouxeste simplesmente adormeci.

celisol


De que cores e a noite IV.

Eu pairo por sobre o azul e branco rumo ao oceano.

Sara Xavier


O corpo de alguém perdido no toque de outro alguém,enquanto as nossas vontades se misturam num desejo de assim permanecer até que o sono chegue, acordando apenas no dia seguinte com o cheiro do café fresco...

Contador de Histórias. depois de Hoje de Noite II. da Louise.


14.6.04



De que cores e a noite IV.


7.6.04


Hoje de noite II

Moro num búzio, com chão de terracota, tecto de conchas assombradas.
numa noite de maré cheia com um suporte de folhas de palmeira, pusemos uma rede de pescadores onde os nossos corpos repousam.
assustamos quem passa ao verem uns pés matreiros a saírem de um búzio. existem dias de maré cheia de gritos porque um búzio rola pela areia até ao mar.
outros dias há, em que o búzio é observado por um grupo de pessoas incrédulas.
Olho para os meios seios moldados pela tua boca mas são os teus olhos de água que me fazem esquecer a multidão.

Lamberei as paredes doces da memória.

Louise, depois de Hoje de manha assim a pressa II.


1.6.04


Hoje de manha assim a pressa II.
alucinacoes (depois de Hoje de noite, da Louise)

Meus olhos foram mar. Nunca tinha visto um vestido de conchas. E tu poderosamente nua por entre as conhas. Beijei teu peito entredescoberto e corri tua praia com as maos. Estremeci areias. Castelos. Cairam no ar velhos contos de fadas. Danca'mos a mare' ao som de bu'zios assombrados. De cancoes de pescadores ao longe recuperando redes. Tudo foi silenciosamente musical. Sussurrado. Belo. O passaro branco explodiu trazendo outra manha. Outra luz.


hoje de noite
ao fechar as portadas , a noite penetrou deixando no varandim os incidentes do dia, dos dias. Tenho um vestido de conchas, entrelaçadas por fio de pesca. Espero um pássaro branco. Conheço bem a sua cabeça de pássaro, os braços brancos e o seu ventre.
Até a sua boca beijar o meu coração existe a lentidão do desfiar dos fios de pesca. Hoje à noite sou um ramo com um pássaro agarrado em mim.
Lamberei as paredes doces da memória. a eternidade

Louise, depois de Hoje de manha assim a pressa I.


Troncos e ramos crescendo da terra fértil agarram pássaros brancos que se deixam agarrar apenas aparentemente. Um pássaro branco jamais se deixa apanhar...

Miss Kafka, depois de Hoje de manha assim a pressa I.


hoje de manhã,
sem palavras
nem cheiros,
nem cores,
havia ainda assim linguagem
a descrever a cena.
música a (re)inventá-la
e língua nos beijos.

eugênia, depois de Hoje de manha assim a pressa I.



De que cores e a noite III.



De que cores e a noite II.


Home
Outras Escritas:
Abrupto, Arte da Palavra, Aviz, Azul Cobalto, Alice
Campo de Afectos, Crónicas Matinais, Conversas Escritas, Citador
O Desaparecido
Ene Coisas, Escrita Ibérica , EUS
EntreHistórias , Epiderme,
Harmonia do Barulho,
Kafkiano,
Leitura Partilhada, Lua, Lugar da Incerteza, Linha de Cabotagem, Lâmpada Mágica
Maizumpomonte
No Parapeito, No Arame, Nocturno com Gatos
Oficina das Ideias, Os Livros Com Letras, O Admirador Secreto
Palavras Mudas, Pickpocket,
Silêncio, Silabas Abensonhadas, Soltas , Sublinhar,
Thelma&Louise , Textos de Contracapa, Troblogdita,
umaPalavra, Uns e Outros, Universos Desfeitos