Escrita Solta

28.5.04


Hoje de manhã assim à pressa I.
alucinações

Hoje de manhã um pássaro branco sem nome voou da minha mão. Foi para um sítio sem consciência. Deu às asas uma luz branca. Hoje de manhã não havia palavras. Não havia cheiros. Nem cores. A boca beijou a terra imaginária onde proliferam árvores que estendem ramos. Que estendem ramos agarrando pássaros brancos.


Guardar o que dorme de todos os males, até do mal daquele que vigia. Gostei disto.

Soledade, depois de Na palma da mão II.


Fecho a mão, mas escorres como os grãos de areia. Fechar mais a mão será inútil. Contudo, de um lugar e de um só lugar jamais poderás partir. Dentro para sempre.

Miss Kafka, depois de Na palma da mão II.


25.5.04


Na palma da mão II.
textos escrevinhados em guardanapos de papel

Na palma da mão fechada guardo uma ideia das tuas mãos que não quero perder. A minha cabeça sobre os teus joelhos. O ouvido sobre o teu ventre. A eternidade. Na palma da mão guardo rios de carícias sobre a tua pele. O teu sono na margem do meu corpo. E eu guardando-te de todos os males. Até de mim.


Quando é a emotividade que conduz a memória com precisão pelo espaço interior surgem por vezes rios de palavras mais fecundos que as fontes rigorosas e minerais da razão. E é-nos dado a escolher oNDE queremos saciar-nos. cOMO: a palma em concha. pORQUÊ: porque há um braço no seguimento da mão cuja palma...

troblogdita, depois de Na palma da mão I.


Ao almoço, peguei no guardanapo de papel a que limpaste o baton e estendi os contornos dos teus lábios sob o tampo da mesa. Depois, pousei a cabeça sobre o guardanapo, assim de lado, com o ouvido junto ao contorno dos lábios, e sonhei que me sussurravas ao ouvido um segredo. Quis assim convencer-me de que ainda não tinhas partido e que a sala estava cheia de ti.

hmbf, depois de Na palma da mão I.


na palma da minha mão
guardo lembranças que a brisa trás. dias que já lá vão.

da palma da minha mão
transbordam sonhos que se apagam.
esperanças perdidas.

e...
o tempo corre. não volta mais.

su, depois de Na palma da mão I.


esse texto tem sabor de autenticidade. de quem sabe o que diz. no sentido de tê-lo vivido. gostei imenso dele. não apenas gostei, tive esta sensação de entendimento profundo. obrigada.

eugênia, depois de Na palma na mão I.
(coloco esta mensagem para agradecer a amizade da Eugênia. e as suas palavras. aqui neste Espaço Grande.)


Na palma da minha mão corre o suor pela linha da vida, desagua no mar dos teus olhos de onde escorrem lágrimas salgadas que eu aparo com os meus lábios. E os nossos sabores misturam-se.

celisol, depois de Na palma da mão I.


as coisas realmente importantes, aquelas que sentimos com o coração, podem ser escritas no olhar de quem nos ama.
gostei deste texto, em especial.
fernando esteves pinto, depois de Na palma da mão I.

(coloco a mensagem do Fernando para lhe poder agradecer com destaque. pelo incentivo. pela simpatia. pelas palavras. pelo excelente Espaço Literário. agora com novo design)


13.5.04


Na palma I.
textos escrevinhados em guardanapos de papel

Na palma da tua mão em concha descansa meu mar azul infinito ora margem ora corrente. É assim como o choro possível de tantas coisas. De tanta vida. Guardado. É assim uma fuga à morte. Uma perpetuação da água original. Do sal da vida. Vejo nela o meu mar ora tempestuoso ora calmo. Desespero contemplação. Existência. Vejo nela um futuro que não sei. Vejo a pergunta que me foge. E resposta alguma. Vejo que me guardas os dias que faltam porque ainda faltam e eu já não acreditava nisso e não sabia. Vejo que me guardas as lágrimas por vir. Sempre por vir. Vejo sem ver. Vejo. Sei que me guardas na palma da mão depois de cada bofetada com que me arrancas aos sorrisos fáceis.


11.5.04


A noite pode ser vermelha ,se for de paixão, negra, se for solidão, e azul se for passada a sonhar. Belissima foto!
Valeria Mendez


I

recorta o céu azul
com o negro dos edifícios.
aponta o contraste óbvio
entre a liberdade
a acender os olhos,
e as luzes nas janelas,
celas aprisionando cor.

eugênia


Das cores da imaginação.

Feliz pelo regresso!
Sara Xavier


II

recorta em azul
o negro da cidade
contendo luzes
nos muros de cimento.
recorta o silêncio
da noite e seu lamento,
a esperança de cada janela.
e na aparente imobilidade
fotografaste vida em movimento.

eugênia


Penso na noite negra que absorve e anula. Esta noite não é assim, é azul, do azul que vês na fotografia. Envolve com braços de seda e de pecado. O melhor de tudo é que condiz om os teus olhos, antes de adormeceres.

Miss Kafka


Kalan
Fiquei à espera do pôr da lua
Cantei baixinho uma canção de embalo
E a rua emudeceu atenta ao meu canto que adormecia no teu descanso.
Até que o céu e a terra se riram e uma voz de trovão Rai lácan, disse bem alto:
Kalan di´ak

Louise


Desculpas por este branco.

Voltarei aqui. Eu venho aqui mas de fugida. E sem me sair nos dedos o tempo. O tempo para as letras que vos queria distraidamente deixar. Plantar abandonadas. Sei que algum amigo as adoptaria. Lendo-as. Eu sei. Eu venho aqui para vos saber desse lado. Espreito. Toco nesta coisa e sei-vos. Estranho. Mas sim. Falta-me nos dedos o tempo que voltara'.


6.5.04



De que cores e a noite.


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