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30.3.04
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Terça-feira, Março 30, 2004
by WILSON T
Parede XXIII.
1
A fresta para além da parede na sombra da árvore - poesia em imagem!
Sara Xavier
2
na parede tosca
a janela não se abre
para as pessoas lá dentro.
que segredo ocultará este silêncio?
em quais dessas pedras
indescansável a angústia
e o medo
consomem uma alma?
a sombra de uma dor antiga
desenha sua memória sobre a casa.
eugênia
3
na parede
um esboço mínimo de janela
a iluminar a solidão do interior
Márcia
29.3.04
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Segunda-feira, Março 29, 2004
by WILSON T
Escusado.
Escusado sera dizer-vos que gosto que me visitem. Que tragam presentes ja nao peco. Mas essas palavras que aqui me deixam eu partilho. Como a dizer-vos gostei muito. Agradam-me como se de um abraco se tratasse. Um livro aos poucos. Desculpem nem sempre retribuir como merecem.
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Segunda-feira, Março 29, 2004
by WILSON T
E tuas mãos correram por esta madeira
a tirar-lhe arestas.
Até que as tuas próprias mãos tivessem arestas.
E meus olhos olharam espantados
as marcas nas palmas,
o resultado do trabalho,
do amor pelo trabalho,
a vontade de contruir-nos a casa.
Descanso a cabeça em tuas mãos
que agora suaves tocam-me os cabelos.
Porque é teu o meu amor,
e são as tuas mãos que amo.
Como amo cada porta, cada janela,
cada trave colocada em seu lugar,
desta construção delicada
que fazemos juntos.
Eugênia
eugênia, depois de Parede XXII.
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Segunda-feira, Março 29, 2004
by WILSON T
Limite. O amarelo das tábuas que sol e chuva doiraram é uma ilusão. Parede? - prisão.
Soledade, depois de Parede XXII.
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Segunda-feira, Março 29, 2004
by WILSON T
Sou como a mão que deixa escorrer a areia por entre os dedos. A fragilidade nua, a insegurança antiga e premente. Sempre presente. A memória que persiste mas se quer perto da morte iminente. Fragmento-me.
Miss Kafka, depois de Parede XXII.
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Segunda-feira, Março 29, 2004
by WILSON T
A parede entrecortada que te deixa ver aos pedaços. Como peças de puzzle que não se completam. Cada parte de ti em cada canto, como feixes de luz que só deixam ver quando surge o fugaz desejo do enfoque final, em que finalmente te tornas Um.
Miss Kafka, depois de Parede XXI.
28.3.04
25.3.04
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Quinta-feira, Março 25, 2004
by WILSON T
riscos que marcam. pedaços que se unem. luz que penetra. sombra que protege.
noites que apagam. dias que se iluminam. vidas que renascem. esperanças que surgem.
dias que iniciam. como se cada um fosse o inicio de uma nova luz, de uma nova vida.
su, depois de Parede XXI.
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Quinta-feira, Março 25, 2004
by WILSON T
Calle Melancolía
Como quien viaja a lomos de una yegua sombría
por la ciudad camino, no perguntéis a donde
busco acaso un encuentro que me ilumine el día
y no hallo más que puertas que niegan lo que esconden. Las
chimeneas vierten su vómito de humo
a un cielo cada vez más lejano y más alto
por las paredes ocres se desparrama el zumo
de una fruta desangre crecida en el asfalto. Ya
el campo estará verde, debe ser primavera
cruza por mi mirada un tren interminable
el barrio donde habito no es ninguna pradera
desolado paisage de antenas y de cables.
Vivo en el número 7 calle Melancolia
quiero mudarme hace años al barrio de la Alegría
pero siempre que lo intento ha salido ya el tranvía
en la escalera me siento a silbar mi melodía.
Como qien viaja a bordo de un barco enloquecido
que viene de la noche y va a ninguna parte
asímis pies descienden la cuesta de olvido
fatigados de tanto andar sin encontrarte. Luego
de vuelta a casa enciendo un cigarrillo
ordeno mis papeles, resuelvo un crucigrama
me enfado con las sombras que pueblan los pasllos
y me abrazo a la ausencia que dejas en mi cama. Trepo
por tu recuerdo comouna enredadera
que no encuentra ventanas donde agarrase. Soy
esa absurda epidemia que sufren las aceras
si quieres encontrarme yasabes donde estoy.
Vivo en el número 7 calle Melancolia
quiero mudarme hace años al barrio de la Alegría
pero siempre que lo intento ha salido ya el tranvía
en la escalera me siento a silbar mi melodía.
Joaquin Sabina (oferecido por Mar, depois de Parede XXI.)
24.3.04
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Quarta-feira, Março 24, 2004
by WILSON T
Parede XXI. (venham textos)
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Quarta-feira, Março 24, 2004
by WILSON T
Parede XX. (homenagem à Tanya)
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Quarta-feira, Março 24, 2004
by WILSON T
Sei que sem essa cortina ficaria mais frio aqui. Quando tenho mais medo, essa conspiração de que falas é minha convidada.
quando abro a cortina ou quando me escondo debaixo dela. uma constante despercebida.
não interessa se escrevemos e damos um nome- conspiração- ao mesmo. Falo da minha, dos meus sentires, dos meus sentidos, do meu corpo em resposta activa.
tudo imbricado. o meu consciente e inconsciente O eu. O eu a ler a paisagem com a cortina fechada.
Falemos de hoje.
hoje. o que levo para debaixo da cortina.
estas palavras. são uma leve transparência do dia, para quebrar desvarios, para acalmar a alma.
excesso de informação no sentido lato. porque me meti num desafio que envolve leituras, mais leituras e entrar num outro mundo. chamado ódio criativo.
vontade, vontades reprimidas, porque não fiz a mala e não sei se a saudade existe.
o que é importante.
Um peso, um peso que hoje corcunda não me faz.
Aprenderemos a respirar pelas fissuras da parede. pergunto.
Para suavizar, vamos dar um nome à parede: cortina
Louise, depois de Parede XVIII. (texto)
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Quarta-feira, Março 24, 2004
by WILSON T
A parede - dicotomia do olhar: o fim da linha, o princípio de um salto.
Sara Xavier, depois de Parede XIX. (imagem)
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Quarta-feira, Março 24, 2004
by WILSON T
A parede que me envolve, me contém, é branca de fria. Faz-se de sulcos que podiam ser a construção do meu caminho.
Miss Kafka, depois de Parede XIX. (imagem)
21.3.04
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Domingo, Março 21, 2004
by WILSON T
Parede XIX. (o texto)
Pedras fumadas pelo tempo homem sobre homem mulher sobre mulher. Cadáver sobre cadáver construimos nossa casa. Que aprendemos nesse ritmo pesado dos anos. Nessa escalada do monte humanidade. As paredes aparentam em certos dias uma espessura inabalável. A força das mãos dadas. Se virmos bem ao anoitecer há fissuras microscópicas que desabam na bárbara contemplação da morte. Do sofrimento romântico e doce na distância aos outros. Aos que são paisagem desértica ou álbum de fotografias ou notícia premiada de guerra. Para contento dos premiados e dos convivas.
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Domingo, Março 21, 2004
by WILSON T
Parede XVIII. (o texto)
Essa cortina que me rapta ao dia é uma parede sobre a minha consciência. Separa-me o suficiente das coisas de fora para que possa olhar o todo o meu passado num relativo escuro. Profundidade oceânica onde apenas uma réstia de luz alimenta a ligação com a superfície. O contacto necessário para poder ler. Nada pode estar isolado. Nada existe só por si. Como relacionar tudo é assustadoramente a questão que me coloco. Uma forte lucidez momentânea vinda de pequenas claridades. De pequenas luzes como animais novos desconhecidos e perigosos. Rápidos deambulando sobre a minha retina que procura interpretar. Projectados na cortina como num ecrã de televisão. Caixa das mil loucuras dos mil vermes em constante metamorfose. Chantili de informações desinformando. A informação é hoje o próprio tempo e pesa-nos demais. O que é verdadeiro desse mundo. O que é conhecimento e importante. Haverá uma conspiração dos fortes contra os fracos distraídos. Para onde vamos a esta velocidade sem controlar o sentido. Os sentidos. Quem seremos essas paredes indecifráveis vistas à janela do actual movimento da vida.
14.3.04
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Domingo, Março 14, 2004
by WILSON T
Patria ,
Quero te amar com preguiça
como quem a tua bandeira iça
quero te amar devagarinho
como o amor do teu céu e o passarinho
Quero te amar sem pressa
como o tempo que dorme depressa
mbate , comentário ao texto da Celisol sobre Parede XVIII.
13.3.04
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Sábado, Março 13, 2004
by WILSON T
Ao nascer da noite sob o céu I.
1
Inventa-me uma parede onde eu possa encostar o ouvido. Uma parede que nos una mais do que separe. Inventa-me uma parede para lá da distância. Onde de um lado eu possa sentir o calor das mãos encostadas do outro, escutar o coração apertado pelo fumo. Inventa-me uma parede bem mais fina e frágil do que a pele que nos reveste. Inventa-me uma parede tatuada, uma parede com cicatrizes por sarar, uma parede que não seja penetrável senão pelo afecto.
hmbf
2
Inventa uma parede onde possas encostar-me o corpo pressionado pelo teu. Uma parede de textura suave. Uma parede única, onde nos encontremos.
Inventa uma parede para o amor.
eugênia
3
Invento-te uma parede ao nascer da noite sob o céu tomando-te de surpresa. Os nossos corpos fundem-se numa luminosidade suave atirando o sol para trás do horizonte. Dispersando sobre as coisas um amarelo torrado húmido. Pó de ouro sobre a pele delirante de amor que tudo transforma. Tudo o resto é um azul cinzento subvoando aves brancas que adivinham as estrelas tão antigas de todas as noites desde que há noite. Palavras soltas no céu do tempo. Sussurros intemporais que escreveram os dias até nossos dias. Palavras grávidas de homens e mulheres achados na perdição do encontro. Procurando uma manhã suave de cetim. Um leito para o descanso do medo. Do medo de viver. O teu corpo contra essa parede unido no meu foi uma janela na paisagem para dentro da vida. Talvez por momentos efémeros que tenhamos de procurar de novo fomos núcleo de amor verdadeiro. Persistir nessa loucura do encontro é a melodia necessária. O equilíbrio do ouvido junto ao muro antigo das coisas. Das imperceptíveis distâncias.
wilson t
12.3.04
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Sexta-feira, Março 12, 2004
by WILSON T
Banco de jardim suspenso sobre o chão ao fim da tarde.
1
Pinto o chão, quero apanhar-lhe todas as matizes que o adorno da luz me permite captar. Com a minha luz, vejo que este chão tem memória, mais do que a que fui concebida para suportar.
Miss Kafka
2
É ao fim da tarde.
No instante em que a lua vem de mansinho render o sol e ambos se encontram fugazmente. Um leve rubor e tingem de vermelho o horizonte. Também o mar.
É nessas horas que o pulsar do tempo é mais lento que o bater dos corações.
É a hora dos amores, dos sonhos cor-de-laranja.
É quando te quero mais. És mais tu. Sou mais eu. Somos outros. Os mesmos?
É quando gosto de te beber o sangue doce da paixão.
Hà sempre um sonho ao fim da tarde. Até ser dia.
Até amanhã. Ao fim da tarde.
Emma
3
Porta aberta para uma divagação do sonho, do irreal, do desconhecido que nos sustenta e da forma primeva como tudo em nós subsiste.
Sara Xavier
4
Sentei-me descansadamente. Num banco de jardim suspenso ao fim da tarde. Num livro como se te desse a mão. Senti no toque das suas páginas a seda rugosa de palavras boas. Do tempo escrito dos nossos lábios colados das línguas lendo-se. Da saliva que nos unia num rio apenas nascente. Adormeci-me tardando de paz a mão sobre a tua barriga. A tua cabeça sobre as minhas pernas dormentes de tanto te procurar. Despertou-me a noite solitária e fria na pressa de encontrar caminho. Como se tivesses entardecido comigo preprarei-te um beijo de luar branco. Fiz-te um carinho no rosto da manhã seguinte. Li-te um poema por escrever. Um poema aguardando.
Wilson T
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Sexta-feira, Março 12, 2004
by WILSON T
a luz salpica a pele.
mesmo quando esta dorme na penumbra da tarde. será aos poucos desperta pelo jogo da sombra entretecida nos dedos luminosos que a penetram... e o olhar concede a função de sentir... fechemos os olhos.
troblogdita , sobre Parede XVIII.
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Sexta-feira, Março 12, 2004
by WILSON T
Não a vejo com nitidez, o cansaço cai sobre as palpebras como um bloco de granito. Saltam-me à vista alguns reflexos tardios de luzes em movimento. A necessidade de sentir o meu corpo horizontalmente repousado sobrepoe-se à vontade de manter a lucidez.Adormeço.
celisol, sobre Parede XVIII.
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Sexta-feira, Março 12, 2004
by WILSON T
arabescos e luz filtrada lembrando:
uma gota de água
e sal
a memória breve
de um incêndio na areia
um beijo da Soledade, Wilson
Soledade, sobreParede XVIII.
11.3.04
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Quinta-feira, Março 11, 2004
by WILSON T
E do chão caules de água luminosa III.
Que barulho faz a chuva quando chove do chão. Um barulho quente de beijo. A vontade de encostar o rosto nessa almofada de vida sentindo as pegadas dentro dos corpos. Da terra molhada. Do núcleo incandescente. Será que Mendel conhecia os genes da alma. Pergunto-me depois de um beijo.
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Quinta-feira, Março 11, 2004
by WILSON T
eu tratava por tu o Espanto. mas quando vi o Espanto Sem Medo, lembro-me que arregalei os olhos e pensei -erro genético - e no momento em que fazia os cálculos dos genes recessivos versus genes dominantes, absorta, recebi um beijo.
um beijo do Espanto Sem Medo.
num gesto que não sei explicar. arriscado. estendi as asas, porque saudades já tinha.
hoje, gosto da cidade ao fim do dia.
é quando recebo beijos. e estendo as asas num abraço.
a luz azul do meu coração é mais intensa mas torna-se despercebida no entardecer. prefiro.
Agora sabem-me bem as horas em que andei só.
Sorrio, porque pássaros branco, amigos, contaram-me que se calhar O Espanto Sem Medo aguarda um beijo meu.
Se ontem chover, chuva de prata, vou beijar o medo, vou beijar o Espanto Sem Medo.vou.
Louise, depois de E do chão caules de água luminosa II.
10.3.04
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Quarta-feira, Março 10, 2004
by WILSON T
E do chão caules de água luminosa II.
Sempre foste assim. Uma alma física. Já o teu coração libertava uma luz azul em pequena para espanto de quem se aproximava sorrateiramente dos pequenos momentos de imobilidade. Apanhava-te distraída quando brincavas no jardim com as flores que te saíam dos olhos. Havia danças no ar desenhadas por pássaros brancos distantes de um mundo sem tempo sem espaço. Procurava dar-te um beijo rápido e silencioso para não os assustar. Só assim me deixavas ver o sorriso com que levantavas voo de ti. E eu. Eu voava nas tuas asas.
9.3.04
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Terça-feira, Março 09, 2004
by WILSON T
Esse azul que eu não vejo, nem a luz nem o mel. Hoje fui atravessada pelo negro da despedida. Tão importantes que eram para mim. Mandei-os embora num acto de egoismo que me consome. Não posso voltar atrás, nem quero. Vou correr mais que eles e esperá-los na próxima paragem.
celisol, depois de Gosto da cidade ao fim do dia III.
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Terça-feira, Março 09, 2004
by WILSON T
Água, mel, sangue e luz azul num turbilhão incessante que me entontece e delicia.
Miss Kafka, depois de Gosto da cidade ao fim do dia III.
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Terça-feira, Março 09, 2004
by WILSON T
Olhei para trás e não gostei do que vi. As marcas dos meus pés na areia eram mais incertas no peso e menos rectas no sentido que as pegadas dos outros que por ali haviam passado antes de mim. Também na areia eu deixei as marcas do espaço percorrido. Mas não gostei nada do que vi. Quis apagá-las, as marcas, os vestígios, os sintomas. As minhas pegadas. Mas a maré vaza, calma, de ondas parcas, não foi grande ajuda. Peguei numa cana de pesca, lancei o fio ao mar e com uma onda mordida no anzol puxei a espuma. Depois foi como se nunca ninguém ali tivesse passado.
hmbf , depois do Desafio...
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Terça-feira, Março 09, 2004
by WILSON T
É um hábito meu sair do meu corpo. dizem que como o faço, certeza certeza, aprendi essa manobra logo
em bebé. Fazem-me o gesto, imitam a minha saída do corpo.
sorrio traquina, fascinada com o que sei fazer. incrédula.
Para evitar estas saídas, L: -sente os pés no chão, mexe os pés a sentir a base e imagina raízes,
raízes profundas¿
e eu já estou divertida fora de mim a sentir o quente destas luzes, a rasar o quente e neste
momento já concentrei algumas luzes sem serem um foco e brincamos. Não sei se sou luz, mas sou
bem-vinda.
Quando volto. penso que se calhar eu e estas luzes, não somos mais do que pessoas que têm o
hábito de sair do corpo.
Louise, depois de E do chão caules de água luminosa.
8.3.04
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Segunda-feira, Março 08, 2004
by WILSON T
Gosto da cidade ao fim do dia III.
Vejo a luz azul do teu coração e sorrio. Ela percorre o teu corpo molhado de prata como sangue pulsando. Vejo ainda as gotas de água que no teu peito são mel. Dou-te um beijo. Chego-te uma toalha. Agora sabem-me bem as horas em que andei só. Vestimo-nos para procurar agasalhados essa cidade iluminada de azul.
7.3.04
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Domingo, Março 07, 2004
by WILSON T
E do chão caules de água luminosa.
Do chão nasciam caules de água luminosa. Plantas de vida temporal. Em maior ou menor intensidade a floresta move-se em alternância. Jactos de seiva animados pela força inquestionável de um beijo na terra. Provavelmente o sítio onde os teus pés se despiram e jogaram à corda. Plantaste uma alegria luminosa com teus sorrisos de criança. Hoje és mais velha mas igual. Esses brilhos em teus olhos condensam as tuas esperanças antigas teus sonhos tuas ingenuidades. Tua ingenuidade. Que se saiba ler. Teu coração continua puro envolto no medo de teres crescido. Do chão nascem caules que vêm do centro da terra. As inverosímeis certezas de cada um. Excentricidade. É loucura não se ver o impossível. É loucura não ver senão as coisas seguras na solidez do olhar. Olha. Fragiliza-te. Olha para esse chão que deita água incandescente. Poemas líquidos que tiram a sede. Poemas que tiram o ar.
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Domingo, Março 07, 2004
by WILSON T
Desafio.
Textos sobre as imagens e textos sobre textos ou textos originais para publicar aqui no Escrita Solta são bem vindos.
4.3.04
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Quinta-feira, Março 04, 2004
by WILSON T
O chão que andarei será claro,
as pedras, conhecidas.
Preciso apenas saber que terás olhos.
E lerás todas as minhas estações.
E quando não o fizeres,
perguntarás.
Dir-te-ei alegremente.
O cântico a sair-me pelo brilho do olhar.
eugênia, depois de Parede XVII.
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Quinta-feira, Março 04, 2004
by WILSON T
IRMÃO
há tanto a dizer. há tanto a escrever.
crescemos juntos. brincámos juntos. partilhámos os nossos dias, nossas alegrias, nossos sorrisos, nossas tristezas...
de repente: bummm. algo acontece. dor. tudo parece um pesadelo. será verdade? sim. a vida prega-nos partidas. dou a volta por cima, mas tu...
nossos caminhos separam-se. a amizade que nos unia fica adormecida. sigo o meu caminho. a mãe alerta-me para o que te estava a acontecer. a realidade estava ali, mesmo à minha frente. é mais fácil não a ver.
mais tarde, ambos acordámos. voltámos a ter forças. iniciámos uma nova caminhada. vivemos um dia de cada vez. voltámos a partilhar os nossos dias, as nossas alegrias, os nossos sorrisos, as nossas tristezas...
voltámos a dizer: preciso de ti, meu irmão(a). que bom te ter ao meu lado.
tal como o povo diz: "Nunca deixes para amanhã aquilo que podes fazer hoje".
su, depois de Carta breve ao meu irmão.
(obrigado Su pela partilha)
3.3.04
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Quarta-feira, Março 03, 2004
by WILSON T
Verde ou outra qualquer luz no escuro.
A luz com que amaste naquele dia em que fechando a janela construimos a noite. Pode ter sido verde. Poderia ter sido outra qualquer. A luz com que te disse para sempre pode ter sido suave. Poderia ter sido por acaso outra coisa. A luz que ficava então retida como uma certeza era uma certeza. Que interessa se depois adormecemos embalados num disco de vinil com algum ruído de fundo. Foi assim que quisemos. Será um permanente descobrir. Descobrimos com a luz do dia que podemos sempre encontrar aquela noite. Aquele disco. A melancolia dos dias que chegarão. Ao fim da tarde estaremos sempre juntos naquela fotografia em que as nossas mãos estão dadas.
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Quarta-feira, Março 03, 2004
by WILSON T
Parede XVII. (o texto)
Em teu brilho vítreo vejo árvores arbustos capim. A erva que sustém o meu corpo adormecido na espera da noite. O orvalho que acorda as flores pela manhã. E um sol novo que desbotará em novas cores o dia. O chão que andarei.
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Quarta-feira, Março 03, 2004
by WILSON T
Carta breve ao meu irmão.
Como te preciso irmão. Tua presença física. Teus jeitos. Tuas semelhanças como tuas diferenças. Nossa história conjunta. Nossos dias meninos. Há nos teus braços uma força que me empurra. Mantém vivo. Há uma magia de sangue. Como te preciso alegre meu irmão. Tua alma é uma brisa interior. Um sopro de luz. Consigo ver nos teus olhos o miúdo russo traquina. Mudaste tanto e nada afinal. Ganhou novo corpo tua alma. Algumas rugas. E agora as tuas mãos têm outros trabalhos outras formas. Veias mais salientes conduzem porém a mesma fúria. A mesma vontade de sonhar esculpe as horas. São mãos honestas. Puras. Recordo as correrias pelo campo. O futebol na rua de casa. Os joelhos esfolados no alcatrão pedregoso detrás das calças rasgadas. A mãe zangada querendo-nos responsáveis. A imaginar-nos um futuro bom. Estudem dizia ela. Só pensam em futebol. As idas para a escola no atropelo à nossa vontade criança. As brigas em que nos defendíamos de tudo como irmãos. E assim tem sido eu sei. Não imaginas a saudade desses dias maiores. Claro que sabes mas não temos tido oportunidade de falar disso. Crescemos e agora tudo é mais rápido. Mais veloz. Somos homens na correnteza do tempo. Da cidade. Mas tudo isso e muito mais está na memória permanente. Constante quando nos chamamos de mano. Está no nosso abraço. Mesmo distante.
irmão, ã. s. (Do lat.germãnus 'que é da mesma raça', 'irmão'). 1. Ser do sexo masculino ou feminino que é filho dos mesmos pais, em relação a outro, ou apenas do mesmo pai ou da mesma mãe. ≈ MANO.
1.3.04
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Segunda-feira, Março 01, 2004
by WILSON T
....................
No fim do dia. deixo a roupa. tenho um chuveiro por cima da minha cabeça. um chuveiro de fios de prata. a chuva de prata gosta de ficar nos meus cabelos, vai descendo, atinge o meu peito, (sorrio porque meia parte de mim está brilhante de prata e da barriga para baixo estou só eu)
________depois atinge a minha barriga e o jacto tem que ser forte para perseguir as minhas pernas e chegar aos pés. Esta chuva é fria e adormece a minhas dores, as guinadas de corpo cansado. é bom.
Ouço um Noc Noc de chaves no bolso.
Mudo o chuveiro por cima da minha cabeça. um chuveiro de fios de alma. esta chuva é quente e embrulha o meu corpo num todo (sorrio porque tu vês a luz azul do meu coração).
quentes e agasalhados vamos sair que eu gosto da cidade ao fim do dia.
Louise, depois de Gosto da cidade ao fim do dia II
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