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28.12.03
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Domingo, Dezembro 28, 2003
by WILSON T
Abraço de agradecimento.
Quero agradecer com um abraço muito forte a visita de todos aqueles que têm vindo ler Escrita Solta. Abraços especiais para Portugal, Estados Unidos da América, Brasil, Reino Unido, Itália, França, Países Baixos, Argentina, Canadá, Polónia, Chile e Bélgica.
A todos na blogosfera desejo um excelente 2004. Que seja possível em cada um de nós fazer crescer a paz.
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Domingo, Dezembro 28, 2003
by WILSON T
e esta oferta da Louise. (obrigado Louise. beijos.)
Chávena, pensei
é o nome que dá ao corpo
vestido,
o nome que dá à alma
escrevi, para não esquecer mais tarde
...............
e ela abriu o vestido e roçou o seio por ela,
agora,
que ela se esqueceu, sei que sonha, para lá da fronte deitada.
vai finalmente poder traçar a sua biografia.
aquela que protege a face escondida da natureza,
beber, finalmente,
da sua chávena.
( é de um livro da gabriela llansol, foi o meu livro da semana)
beijo
Louise
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Domingo, Dezembro 28, 2003
by WILSON T
da Eugênia, sobre Corpo.
o corpo é uma palavra entre deus e o diabo e tudo que há entre eles. só nós sabemos o brilho que há na palavra ou no gozo.
só nós somos capazes de engrandecer a palavra, tê-la plena, no poema ou no amor. ou destituí-la de significado,
palavra vazia : só eco, não se percebe a fonte, o fim.
eugênia
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Domingo, Dezembro 28, 2003
by WILSON T
do Fernando, sobre Corpo.
a palavra é sempre um corpo ausente.
fernando esteves pinto
24.12.03
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Quarta-feira, Dezembro 24, 2003
by WILSON T
Corpo.
A palavra é um corpo entre a escuridão e a luz. Ela escuridão e luz. Quando as palavras nos abandonam. Nos encontram. Quando as palavras cruzam os sentidos devemos ser pele. Sentir o seu toque ora aveludado ora áspero ora coisa diferente. Mas sempre corpo. Uma existência material que encerra a alma de todas as coisas.
23.12.03
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Terça-feira, Dezembro 23, 2003
by WILSON T
de Miss Kafka, sobre Chão.
Calor. Conforto. O enlace aveludado do abraço que faz descansar e entregar.
Miss Kafka
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Terça-feira, Dezembro 23, 2003
by WILSON T
de hmbf, sobre Parede XIV.
A carne espreita a terra enquanto a pele rejuvenesce. É a estação das folhas caídas, das palavras voltadas para o chão. E nesse eterno desfiar de linhas sanguíneas, o ar queima as feridas. O corpo resiste. Inerte. Por detrás da pele esfolada, encontrarei sempre um corpo em chama. Como se a cinza perpetuasse no seu íntimo o calor da brasa. Como se a brasa trouxesse dentro uma certa forma de vida.
hmbf
21.12.03
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Domingo, Dezembro 21, 2003
by WILSON T
Chão.
Castanhos frios. Folhas caídas sopradas pelo vento. O cheiro frio da terra molhada. Chão. E a lareira de casa iluminando páginas. Memória. Abraço.
17.12.03
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Quarta-feira, Dezembro 17, 2003
by WILSON T
Céu.
Quase quase o céu. Quase quase. O azul imenso. Branco.
16.12.03
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Terça-feira, Dezembro 16, 2003
by WILSON T
e ele deixou marcas de sangues cortando o cordão imaginário. desavoou às primeiras pegadas. nos ares rarefeitos da memória. porém sua força o levou alto à pureza da liberdade. respirou fora do sangue a substância da vida. a poesia. a liberdade dos voos rasantes.
(sobre o post OVO da Louise)
15.12.03
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Segunda-feira, Dezembro 15, 2003
by WILSON T
da Louise, sobre Refúgio I.
sinto o cheiro a pão quente, espreito oculta mas esse cheiro a vida, ainda mais mágoa me traz e os meus olhos mais esbugalhados ficam. e volto para o cobertor, olho-me ao espelho e espero que o meu rosto ainda me seja familiar. que resista até a próxima manhã.
Louise
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Segunda-feira, Dezembro 15, 2003
by WILSON T
Refúgio I.
No escuro de algumas noites em que nos perdemos uma luz ao fundo acorre em salvação. De lá vêm silhuetas de gente tranquila. Cansada de arrastar a roda do dia. A mó. Cheira-me a comida quente. Talvez pão. Quente. Poderei encontrar consolo disfarçando minha angustiante solidão. Há estranhos que são família. Em certas noites.
14.12.03
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Domingo, Dezembro 14, 2003
by WILSON T
Parede XIV
Mostras inconscientemente uma doce parte de ti. De cores formais caindo ao sol à chuva. De sangue pulsando a exaltação ou a ansiedade ou o medo. O desespero por vezes. A enebriante alegria. Erupção. Tudo mostras nesses fragmentos. Nessas ausências de escudo. Mesmo que te prendas. Te escuses. Lutes. Uma doce parte de ti aparece. Inconscientemente. Vê-se. É nesse aparente aflorar de manchas sobre a certeza do branco correcto que te encontro. Nesse lado estreito da verdade. Subtis graça ou pesadelo. Vida nada mais. Vida.
(à Ana no país dos Matraquilhos)
12.12.03
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Sexta-feira, Dezembro 12, 2003
by WILSON T
Estranhas palavras.
Leio as palavras que supostamente terão saído de meus dedos. Talvez por nunca a minha boca as ter pronunciado ainda não as considere definitivamente de outro. Mas há caminho percorrido nessa direcção. Nesse breu de uma noite escrita de ninguém. De desconhecidos que chocam connosco no escuro. Que sentimos como seres próximos. Talvez as palavras elas mesmas. E talvez elas sejam só elas. Já escritas há imemorial tempo. Antepassadas. Fósseis. De que apenas descobrimos as cores. Os cheiros. Sons. A pele sacudindo o pó dos séculos. Renascendo com vida própria como fruto de novas linguagens. Línguas. Não creio de forma alguma que sejam minhas. De mim fica apenas o erro. Possível desencontro. Pó.
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Sexta-feira, Dezembro 12, 2003
by WILSON T
Deixado na caixa de comentários por um(a) visitante a propósito do texto E.
Muito obrigado pelo belíssimo texto de Ruy Cinnati.
A propósito das tuas palavras lembrei-me de um poema do Ruy Cinatti que passo a transcrever:
Na praia exígua de coral partido,
Areia, arribas,
Fui um corpo contra o seu desfeito
Ao som das ondas.
Amá-la não podia, o céu não queria
Tal contraponto.
Quando menos esperávamos chovia,
Trovões rolavam.
Molhado, abraceia-a
Como quem se salva.
É a Sereia nas palavras deste autor....
Anonymous
11.12.03
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Quinta-feira, Dezembro 11, 2003
by WILSON T
Mesa da cozinha.
Sim eu fico aqui em baixo olhando-te nua em cima da mesa da cozinha. Olhando a tua incerteza. A tua dúvida. Espera. Sim podes despir-te para que te possa olhar toda. O peito a barriga. O rabo. Claro que gosto dos teus ombros do teu pescoço. Dos teus pés. Mãos. Sim sabes que sim que gosto daqueles pormenores mais do que das evidências. Por isso te quero aí. Na mesa. Pedestal. Quero olhar-te toda poder dar a volta à mesa virar-te. Agora deixa-me surpreender-te com os meus olhos no silêncio. Com as minhas mãos quentes. Assim é mais fácil beijar-te. Quero que te enganes julgando-te só. Surpreender-te. Gostarás de surpresas. Vamos ver. Dar-te-ei aquilo que tenho num abraço forte. Na fusão ancestral dos corpos. Das almas.
9.12.03
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Terça-feira, Dezembro 09, 2003
by WILSON T
Não sei.
Não sei onde estás. Não sei os teus passos. Talvez os teus pés pisem agora aquela praia. Marquem indelevelmente aquela areia molhada de sal. De sol. Não sei os teus olhos. Talvez estejamos em lados contrários do horizonte. Dessa linha ténue de nevoeiro. Talvez eles sejam parte desse azul imenso que me desafia para o mar. Talvez. Não fora nunca nos termos encontrado e tudo seria diferente.
8.12.03
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Segunda-feira, Dezembro 08, 2003
by WILSON T
Comentários.
Afixarei os comentários que forem fazendo à escrita solta nestas páginas. Quando as páginas me disserem que precisam dessas palavras. Que se vêem assim mais felizes. Com a vossa permissão. Obrigado.
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Segunda-feira, Dezembro 08, 2003
by WILSON T
Telemóvel I
Comunicámos muitas vezes através de um toque de telemóvel. Apenas isso sim. Um toque de telemóvel. A seguir o silêncio aguardando o toque de regresso. Depois o silêncio dentro. Aguardando apenas as horas. O tempo escorrendo a distância. Diminuindo-a. Curioso e estranho silêncio. Um som de telemóvel que não é mais do que o silêncio partilhado. Um código entre pontos sonoros. Pontuação de um discurso entre amantes.
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Segunda-feira, Dezembro 08, 2003
by WILSON T
do Fernando, sobre Parede XIII.
a verdade está no esquecimento.
fernando esteves pinto
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Segunda-feira, Dezembro 08, 2003
by WILSON T
do Fernando, sobre Aperto de Mão.
a palavra é um jogo de silêncios.
fernando esteves pinto
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Segunda-feira, Dezembro 08, 2003
by WILSON T
do Fernando, sobre Beijo.
(comentário que me permito afixar. pela beleza. obrigado.)
um beijo é respirar sem ar.
fernando esteves pinto
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Segunda-feira, Dezembro 08, 2003
by WILSON T
da Louise, sobre Beijo.
enraivecida de tantas perguntas, de rodeios, da sombra que me fazia sombra. deixei de lhe chamar meu amor. hoje chamo-lhe com um tom afectuoso "ponto de interrogação" e ele responde sempre da mesma maneira. porquê.
continua a desviar o olhar. treme quando o meu telefone toca. remexe os meus bolsos com a mesma avidez que beija os meus seios. rasga os meus livros com a mesma delicadeza que me rasga o ventre. sempre da mesma maneira. ergue paredes para me empurrar contra elas e ouvir a minha respiração ofegante. ergue muralhas que me dão gozo com um leve sopro desmoronar. não sei de onde vem este poder. mas sei que quando ele empurra a minha cabeça para dentro de água e me deixa sem respirar, eu pacifico e espero pelo seu beijo que é o meu respiro.
chamo-lhe com um tom afectuoso ponto de interrogação e ele responde sempre da mesma maneira: porquê, e beija-me com vontade. sem águas paradas, ri-se porque o meu líquido amniótico transborda na lagoa.
Louise
7.12.03
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Domingo, Dezembro 07, 2003
by WILSON T
Parede XIII
Onde está a verdade. No que brilha aliciante perante os olhos. Na atracção do instantâneo. Imediato. Estará a verdade na mais fácil geometria da vida. No arrumo das ideias. Nas gavetas perfeitas. Ensinadas. Estará a verdade na revolta de traços confusos. Na escrita constantemente abandonada. No desenho furioso. Sem horizonte. Estará a verdade algures na linha que divide o real do espelho. No espaço de uma serenidade difusa. Num insondável território. Estará nas pequenas coisas que nos estruturam a vida. Nos sorrisos do tempo. Da alma. Do corpo.
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Domingo, Dezembro 07, 2003
by WILSON T
Aperto de mão.
A palavra táctil. Forte. Quente. A palavra confiança envolta em verdade. Nobreza. Fraternidade. A palavra pergunta como motor de procura. Conhecimento. Arte. A palavra respeito como um sol. Humanidade. Diferença. A palavra que liberta mas não separa. Individualidade. Espaço. A palavra acordada vestida de gesto. Determinação. Vontade. A frase como um aperto de mão.
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Domingo, Dezembro 07, 2003
by WILSON T
Beijo.
Um beijo pode muito bem ser um mergulho numa lagoa. Caímos lá dentro de corpo inteiro e nus. A água pode estar fria. Morna. Quente. Mas choca nunca por favor. Um beijo é uma vontade. Não águas paradas.
6.12.03
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Sábado, Dezembro 06, 2003
by WILSON T
Da Louise.
a iguana deixou renascer a sereia, ainda bem que o mar estava perto.
a barbatana louca na fuga deixou escamas na areia que as ondas ajudaram a limpar.voltou ao mar.
Louise
5.12.03
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Sexta-feira, Dezembro 05, 2003
by WILSON T
E. apareceu do mar. Levantou ondas azuis com franjas de espuma branca. A luz brilhou nelas iluminando o leito da loucura. A violência da beleza. Da sua temporalidade. Voltou ao mar.
4.12.03
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Quinta-feira, Dezembro 04, 2003
by WILSON T
Parede XII
Revelas as marcas da humilhação como uma fotografia com o tempo do mundo. Vejo o rosto do sentimento espezinhado. Vejo a sujidade com que se abatem os seres. Ajoelho-me perante a magnitude dessa dor secular. Dessa aparente impossibilidade de fazer diferente. Essa morte do sorriso da criança. Do filho. De todos os que hão-de vir. E virão. Até que um dia todas as paredes todos os muros se abatam sobre a perfídia da cegueira procurada. Mas tudo isto é louco. Tudo isto é nada. A vida é o que é. E o sonho serve de chão aos rodados da máquina que edifica os Homens. Apenas às vezes do chão se erguem paredes.
3.12.03
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Quarta-feira, Dezembro 03, 2003
by WILSON T
(fotografia de Fernando Ribeiro)
Faço ruído para deixar escrito um abraço muito especial a todos os que vêm à Escrita Solta. Especialmente ao Fernando. À Louise. À Deméter. Ao Luís.
A todos. Agora silêncio.
2.12.03
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Terça-feira, Dezembro 02, 2003
by WILSON T
Silêncio. Nem os dedos sobre as teclas. Nem caneta deslizando o papel. O lápis. Nada.
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Terça-feira, Dezembro 02, 2003
by WILSON T
Lanço o repto para que se sintam livres de escrever sobre as imagens que vou colando aqui e ali nestas folhas soltas. Publicarei os textos salvo as excepções por respeito à palavra. São todos muito bem vindos os que vierem por bem. Será uma honra receber colaborações. Também estou receptivo a imagens que queiram ver acompanhadas de palavras. Escrita solta. Abraço.
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Terça-feira, Dezembro 02, 2003
by WILSON T
Sono.
Fiquei deitado entre as suas pernas e com o rosto sobre a sua barriga. Impossível explicar o prazer daquela barriga. Daquela pele. Não nos olhámos durante aquele tempo. Pareceu ainda maior a união sem rosto. Só pele. Cheiro. Suor. Todo o antes todo o depois reunidos numa pausa incessantemente doce. Um abismo sem fim. Um voo. Um ansioso descanso aguardando o dia imparável e confuso. O mundo longe dos lençóis. Lá fora.
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