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27.12.07
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Quinta-feira, Dezembro 27, 2007
by WILSON T
Organizar. Organizar. Reescrever. Esconder.
6.12.07
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Quinta-feira, Dezembro 06, 2007
by WILSON T
O novo Escrita Solta.
Venham lá. Dou-vos café. Aroma de goiaba. Chá e bolachas
talvez marmelada
e outras coisas boas pelo corpo abaixo e pela alma acima.
27.11.07
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Terça-feira, Novembro 27, 2007
by WILSON T
Está decidido. O escrita Solta vai mudar de plataforma. É com pena
porque esta casa já tem 4 ou 5 anos.
Paciência. É por uma questão de comodidade. O que também conta.
Pode ser que esta nova fase valha a pena
para quem lê.
Se bem que a escrita virtual me começa a enjoar.
(Penso em colcoar a culpa no computador pela má qualidade dos meus textos e pela ausência de leitores.)
Já aqui meto a ligação directa à nova casa do Escrita Solta. Já vai. Já vem.
3.11.07
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Sábado, Novembro 03, 2007
by WILSON T
Ficámos assim numa fotocópia. A preto e branco. Antigos. Partilhando o toque da pele que nos fundiu e a luz quente da máquina que nos fixou. Para sempre.
Somos o feliz encontro da energia. Essa mesma que que explodiu em grande alegria a partir sabe-se lá do quê. Não interessa para o caso. Deu origem a esta vida e a este mundo infinitamente grande. Grande demais para caber nas nossas finitas vidas. Estas vidas como as conseguimos ver e imaginar.
Lembrou-me uma pessoa aquela primeira frase. Já a escrevi faz anos. Mas lembrou em mim a felicidade das palavras que são música. Sentimento. Cor. Talvez até aroma. São sentidos repletos da alegria de comunicarmos. Podemos apreciar a beleza juntos. Sós
estamos condenados.
Somos energia. Momentaneamente somos matéria
aquela que nos permite a felicidade para além da luz. Um encontro no íntimo da alma
permitido pelo corpo desta existência.
22.8.07
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Quarta-feira, Agosto 22, 2007
by WILSON T
Beijaram-se na boca como dois amantes loucos. Ela
amante da natureza. Um fogo de vida e um mar turbulento. Ela
amante de carros e de adrenalina. Coisa de homem dir-se-ia
mas não.
Duas jovens bonitas como as mais bonitas coisas que a natureza dá. Mas assim
sem saber o que fazer de certas partes
da sua existência
dizia um amigo meu. A que eu respondi
- Não. Elas sabem certas coisas.
Por mim nada. Nada a opor. Gostos são gostos e em matéria de beijos
nem emito opinião. Eu também gostaria de as beijar. Não era preciso que fosse às duas ao mesmo tempo.
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Quarta-feira, Agosto 22, 2007
by WILSON T
Contaram-me uma anedota que merece ser dividida.
Depois da revolução do 25 de Abril de 1974 em Portugal
- Onde é que havia de ser
um tipo às esquerdas dirigiu-se a um velhote lá no campo
- No campo onde a vila é morena
e disse-lhe com as maneiras próprias de um revolucionário que se quer sentar
- Camarada
chegou o 25 de Abril. A Revolução. A democracia.
e continuou
Isto agora está tudo mudado. Tudo diferente. Para melhor. Agora é que é bom. Agora há solidariedade. Dividimos tudo.
- Ai sim - perguntou o surpreendido camarada que não sabia que o era e que também estava espantado com aquela chegada do tal 25 que o camarada interlocutor já esperava pela maneira como falava. Sempre se espantam as pessoas do campo com coisas certas além da previsão do clima. E mesmo nisso.
- Sim. É o fim do fascismo. É o fim do egoísmo. Agora vamos ser comunistas. Não há mais nenhuma religião. Agora é só comunismo.
- Ai sim.
- De maneira que o meu camarada tem dois burros e eu não tenho nenhum. Não sei se o camarada já tem espírito comunista.
- Ai sim - meio pergunta meio espanto.
- Sim camarada. Agora pode dar-me um burro para eu trabalhar. Dividimos.
O agricultor velho ainda pensou que não sabia fazer contas de dividir. Mas percebeu que as palavras do seu interlocutor conmunista vinham cheias de autoridade democrática e revolucionária. Os agricultores percebem rapidamente estas coisas.
- Está bem camarada. Pode levar um burro.
- Já vi que o camarada tem espírito.
- Leve o burro daqui camarada.
Uns meses mais tarde o agricultor velhote passava de passeio junto da casa do seu camarada interlocutor para a questão do burro. E rejubilou com alegria uma vez que o seu camarada já possuía três vaquinhas
muito jeitosinhas e de cores leiteiras. Sonhou então com o leitinho que resultaria do comunismo anunciado. E anunciou-se aos céus como comunista convertido. Antecipou-se como culpado de desconfiança contra-revolucionária indesculpável. Penitenciou com racionalidade e reconstruiu-se como homem. Estava outro.
Chamou o camarada e pediu-lhe com gentileza
- Por gentileza camarada. Descobri que estou pronto para aderir ao comunismo de corpo inteiro e em igualdade de circunstâncias. Sou um homem novo. Percebi a sua mensagem. E vinha pedir-lhe uma vaquinha
um leitinho comunista. Nem me contenho na alegria de saber a felicidade que o camarada vai sentir ao dividir comigo este símbolo do desenvolvimento agrário e pecuário e revolucionário.
Nisto é interrompido pelo camarada de rosto fechado
- Oh camarada. Isso do comunismo é só para burros.
21.8.07
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Terça-feira, Agosto 21, 2007
by WILSON T
Vamos fazer algumas alterações. Cores
talvez coluna de ligações e algo mais
do aspecto. Quanto ao resto
será tudo diferente. E tudo igual.
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Terça-feira, Agosto 21, 2007
by WILSON T
De volta. Isto vai ser um fartote.
Ainda pensei suicidar o blog. Mas
ah mas
mas a estima é grande. Não. Não poderei deixar aqui este cadáver
pelo menos por enquanto.
19.4.07
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Quinta-feira, Abril 19, 2007
by WILSON T
Pediu-me repetinamente
- Posso meter este ramo de rosas entre os teus seios
e foi de olhares directo à blusa de decote fundo como um louco.
Achei graça à ideia. Não estava de intimidades com ele
mas sempre lhe tinha achado piada e era bonito. Além do mais queria dar-me amor
e eu até não me importava nada com o que vinha anexo. Não posso alienar-me daquele iate fantástico e das festas
- Ah as festas.
Abri-lhe a blusa. Ficou admirado com o tamanho
- São lindos os teus seios.
(Que boas.)
pelo que notei na tensão muscular do rosto e nas ondas que a minha intuição captou.
- Podes beijar-me os mamilos e depois colocar as flores. Sempre adorei que me oferecessem flores.
21.3.07
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Quarta-feira, Março 21, 2007
by WILSON T
Chegaste de viagem sem avisar e apanhaste-me desprevenido. Atiraste com as tuas malas para um canto e vieste a correr para mim
para me comer
(quase parecia)
mas não gostaste de me ver na cama com o teu melhor amigo. Eu nunca percebi porque transportas essas malas
vermelha e azul
mais do que elas te transportam alguma coisa.
(apesar de enormes)
Confesso que já me irritavam um pouco as tuas malas.
18.3.07
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Domingo, Março 18, 2007
by WILSON T
Não me apetece voltar, suponho que me esperam tenebrosas caimbras nos musculos da face, não vou poder chorar sem dor. Inverti o fluxo sanguineo, comecei a pensar com os pés e caminhei, caminhei até à exaustão e fiquei com bolhas na cabeça!
Lunar
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Domingo, Março 18, 2007
by WILSON T
A vida é um rio ondulante na descida da montanha e em cada curva dos dias a paisagem se renova.Hoje o Pedro telefonou-me. Disse-lhe que trago o vestido de musseline o tal que costumo usar quando passeamos à beira-rio. Não apareceu. Disse-me mais tarde que está constipado.Não posso abusar da fragilidade dele.
marcelle
16.3.07
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Sexta-feira, Março 16, 2007
by WILSON T
Lobo Antunes ganhou o Prémio Camões. Não encontro melhor forma de o homenagear
humildemente mas com seriedade
do que deixando aqui
dois dias depois
as palavras de Jacinto Lucas Pires
«(...)Nos textos de Lobo Antunes há uma transfiguração admirável, assombrosa: de sobras, pedaços soltos, pequenos nadas, nascem autênticas catedrais. Catedrais imensas e à nossa escala humana - como monumentos feitos apenas de palitos, caricas, alfinetes, coisas assim. Do mais prosaico, a melhor prosa.
Ou, não, talvez "prosa" já não chegue para nos aproximarmos do segredo desta escrita. Uma voz de vozes; linhas invisíveis costurando em tempo real milhares de frases, quebras, itálicos, parêntesis que, aos poucos, se revelam gente a sério. Os livros de António Lobo Antunes: um longo poema de imagens do qual nos arriscamos a sair mais verdadeiros.»
14.3.07
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Quarta-feira, Março 14, 2007
by WILSON T
a correr
vim a correr. perdoem-me o cansaço a língua de fora a ofegante balbúrdia
não é má-educação
mas consideração.
um abraço. já vou outra vez.
11.1.07
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Quinta-feira, Janeiro 11, 2007
by WILSON T
A sul, bem mais a sul,
as cores colam-se nas palavras
e nas faces inclinadas contra o sol.
A sul para onde se quer ir
quando o inverno nos atinge
o íntimo desaguarnecido.
Voar para sul,
para o sonho liberto.
Encontrar o sul em nós mesmos,
os braços abertos ao mundo.
Silvia Chueire
8.1.07
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Segunda-feira, Janeiro 08, 2007
by WILSON T
no espelho vi o olhar
que apaga o tempo
imprime a memoria
marcelle
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Segunda-feira, Janeiro 08, 2007
by WILSON T
....De pé, frente à janela Margarida assiste à viagem do dia. Um véu fino toca-lhe os ombros,um sopro ténue bastou para aproximar o bar,ele e ela sentados frente ao rio, quietos, em silêncio, calmos.Suspensos no tempo ficariam para sempre felizes não fosse a voz de Pedro,grave,arrastada,penosa murmurada , dizer algo sobre os pássaros...sobre o céu azul cerúleo brilhante e frio.Procurou o olhar dele.O perfil de Pedro destacava-se na luz da meia-tarde. Mesmo por cima deles rasou o grito angustiado de uma gaivota.Fitaram-se.Margarida viu o olhar de Pedro tornar-se espesso, denso, insondável...
Passou a mão nas goticulas de vapor que a sua respiração tinha deixado na janela,limpou os olhos e lambeu.Sabia a sal.Só poderia ser daquela fria meia-tarde.....
marcelle
5.1.07
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Sexta-feira, Janeiro 05, 2007
by WILSON T
Esta luz de meia-tarde está sem cor sem som
talvez invadida pelo frio
dos pássaros que partiram.
(Penso no sul.)
22.12.06
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Sexta-feira, Dezembro 22, 2006
by WILSON T
Convidaram-me a entrar e a beber uma taça de champanhe. E
(Devo sentir-me agradecido.)
eu entrei e tomei a taça de champanhe. Comi Bolo-Rei
quase caseiro. Quentinho
o edifício. As pessoas conversavam sobre o futuro.
- Feliz Natal se não nos virmos antes.
- Bom Ano Novo se não falarmos entretanto.
No canto do enorme salão
(Uma sala com colunas quase gregas e quadros pintados nas paredes
quase originais com olhares de óleo de linhaça e fatiotas desempoeiradas
quase veludo.)
uma pessoa com olhar pedinte mergulhava no nada
procurando no éter da alienação uma resposta
- Seremos humanos
que lhe restou seca na boca como uma pergunta.
ou um bicho sem memória.
21.12.06
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Quinta-feira, Dezembro 21, 2006
by WILSON T
Hoje dizem que veio um frio especial da Inglaterra e
um amigo meu
diz que agora é tudo importado.
- Tudo culpa da reforma agrária. Tudo culpa dos comunistas.
Passado umas cervejas diz que é tudo culpa de todos
- São esses chupistas dos nossos governantes. Andam todos a dormir. Só abrem os olhos para aquilo que lhes interessa.
Distraí-me com as pernas belíssimas de uma garota
(Esta não tem frio nenhum.)
e pedi mais um café
- Para aquecer a alma.
Um vizinho esbracejava que
- Os comunistas do bloco soviético é que forçaram a formação da Organização das Nações Unidas e
Dizia que a partir de aí é que os americanos tiveram de se preocupar com os direitos humanos
a declaração dos direitos humanos teve de ser assinada
e já se pode deitar abaixo o muro de Berlim.
- Uma bola de Berlim
pede a rapariga das pernas altas e mini-saia curta
(Já viram redundância mais excitante.)
enquanto eu me pergunto
- Afinal o frio é importado ou não.
(Como sabe tão bem um café a meio de uma tarde de frio inglês.)
20.12.06
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Quarta-feira, Dezembro 20, 2006
by WILSON T
A luz deste fim de tarde é fria. Acredito que vista de dentro destes belos edifícios seja quente
pois é dourada
(Talvez por isso o ouro tenha tanto valor.)
e parece espraiar-se docemente sobre todas as coisas que podemos alcançar
de dentro dos belos edifícios.
Da rua
para quem está na rua
talvez não seja assim
(Para esses o ouro não tem assim tanto valor.)
porque há sempre este vento cortante que não deixa ver tão bem.
Depois o que é mesmo mau é a noite
onde escasseia todo o calor.
15.12.06
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Sexta-feira, Dezembro 15, 2006
by WILSON T
E se fosse só pensamento
dispensando a podridão do corpo o envelhecimento como lhe chamam.
(No liceu lembro-me do eufemismo da vela que se apaga)
- Podia ficar a olhar as coisas com tempo.
(Mas e o calor deste sol sobre a pele que fica dourada e até parecemos eternos e nos sentimos eternos)
Não
(para depois voltarmos à consciente dor estomacal profunda que somos pó.)
não há nada que substitua o conforto da pele do abraço do encontro com os outros. É aí que está a beleza de todo o conhecimento.
22.11.06
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Quarta-feira, Novembro 22, 2006
by WILSON T
O homem andava imaginando futuros.
Nas ruas tardias daquele Outono lá ia ziguezagueando a folhagem amarelada que descia no vento. Aquele manto deixava-o docemente angustiado com a beleza da vida. Às vezes a vida é mesmo boa
e se não houver doença
(já dizia a avó Joana)
é uma maravilha.
(e ela até dizia é bela e amarela)
Quem nunca se sentiu inclinado para o chão amarelo e castanho do Outono. Ficar ali só descontando lentos segundos Fazendo parar a inevitabilidade.
(lembro-me sempre de um filme sobre o Central Park com uma atriz moreninha com uns olhos enormes pretos e um gajo com um sobretudo jeitoso preto e mesmo à maneira)
O Outono é coisa que existe em qualquer lado. Mesmo no Sudoeste Asiático onde só há duas estações. É um livro do qual deixamos voar páginas
e nos enebriamos em gotas de chuva. É sempre um fim de tarde com mar e sol
onde quer que seja. Todo o mundo girando. Toda a alma se apercebendo.
3.9.06
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Domingo, Setembro 03, 2006
by WILSON T
vertigem
toma nas tuas mãos o meu vôo,
as imperceptíveis asas recolhidas
à concha dos teus dedos.
sentes como estão trêmulas ,
como te tocam suaves?
é que todo vôo navega
até o porto.
depois é voragem,
vertigem.
silvia chueire
(pedido emprestado à Sílvia Chueire. do seu magníficoEugenia in the Meadow)
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Domingo, Setembro 03, 2006
by WILSON T
Lentamente
Não nos pertence a noite nem o dia
nem a luz revelando o desalinho
em que ficou a nossa cama.
Tão-pouco nos pertence a maresia
que em nossos corpos como um vinho
lentamente se derrama.
Não nos pertence a clara madrugada
nem o pálido azul do fim de tarde.
Apenas nos pertence
esta dor que pensámos adiada
mas por dentro nos arde
e lentamente nos vence.
Torquato Luz, 2006
(pedido emprestado ao Torquato Luz. do seu magníficoOfício Diário)
2.9.06
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Sábado, Setembro 02, 2006
by WILSON T
A noite é um mar. Sim
aceito isso.
Uma distância. Um sono
silêncio.
Ouvi a tua voz dizer-me uma impossível travessia. Maldita
que me atiraste à onda morta.
Não há barcos connosco.
24.8.06
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Quinta-feira, Agosto 24, 2006
by WILSON T
Fui deixando de escrever.
Estava um pouco cansado de tantos visitantes. Um excesso pernicioso às palavras
ruído demasiado onde se quer silêncio.
Não
não é arrogância.
Chegavam até aqui por pesquisa no google e no altavista
na pesquisa aparecia
gajas núas
mulheres núas também
gajas boas
mulheres boas também
bucetas e até vaginas
grandes pirilaus imagine-se
tits que não posso dizer em português
fuck também não
e filmes ou movies.
Não volto a escrever enquanto não decifrar o enigma
que naked girls é coisa que aqui nunca coloquei
(não é que não fosse melhor do que o que escrevo)
muito menos dicks ou penis.
17.8.06
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Quinta-feira, Agosto 17, 2006
by WILSON T
Nenhuma palavra será dita.
Estarão escritas nas mãos as consoantes
E nos olhos as vogais que as ligam.
Do copo sairá a melodia
E a dança, meu amor, será o instante.
Elipse depois de Sílvia Chueire
8.8.06
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Terça-feira, Agosto 08, 2006
by WILSON T
Da-me os teus braços
a agasalharem-me
e mergulharei neste poema,
no abismo,
antes que o dia amanheça.
Traremos o mundo para dentro
e o ensinaremos.
Nossa nudez o redimirá
e nenhuma palavra será dita
senão as amorosas.
Dá-me os teus lábios
a percorrem meu corpo despido
e esquecerei tudo por ti.
Silvia Chueire depois de 1.
2.8.06
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Quarta-feira, Agosto 02, 2006
by WILSON T
Escrita Solta
Este blog já tem 3 anos. Uau.
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Quarta-feira, Agosto 02, 2006
by WILSON T
1.
Ela dizia-me
-- Não podemos.
E abraçávamo-nos docemente. Tranquilamente como se
(A eternidade pode ser coisa de segundos. Um olhar.)
o tempo e o espaço
o imaterial e o físico fossem a mesma coisa.
Eu dizia silêncios. E nos olhos dela via lágrimas impossíveis
oceanos fundos onde nada mais existia. Só aquele momento
só aquele momento contava
e abraçavamo-nos com mais força. Quase nos fundíamos num único sorriso melancólico.
-- Talvez pudessemos fugir -- dizia-lhe para dar sentido à despedida que sabíamos esperar-nos.
Conseguíamos ouvir a redundante frase do mar e dos grilos tropicais e das ondas de calor e do suor
-- Para onde.
dizer-nos que a vida é esquecimento.
-- Para um lugar na ausência de tudo. Uma praia.
-- Mas onde
não podemos -- sussurava pedindo-me a coragem que tudo condenaria. -- Tudo nos aguarda lá fora.
Esfreguei os lábios na sua pele com vontade de a despir do mundo
como se pudessemos
nús
ser um verso final e imutável
impossível
de um permanente poema. Um poema nú
na ausência de tudo.
27.7.06
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Quinta-feira, Julho 27, 2006
by WILSON T
Deriva XXIII
Pronto. Ponto.
Acabou a deriva ou as derivas
ate nova derivacao.
E nada melhor do que com o belo numero papal XXIII.
19.7.06
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Quarta-feira, Julho 19, 2006
by WILSON T
Deriva XXII
Quando era pequeno
acabei de lembrar
queria ser o Fábio Júnior ou melhor um escritor que ele fez numa novela
porque gostava do penteado que ele tinha
e eu tinha cabelos demais encaracolados.
Agora já tenho os cabelos mais parecidos com os do Fábio
mas ainda não sou aquele pilantra que fumava
fumava
fumava
escrevia
escrevia
e até teve que publicar com outro nome
um belo livro sofrido. Tudo isto com aquele cabelo.
Também gostava do sorriso do Fábio
pilantra
um sorriso de escritor e aquele cabelo.
Estilo estilo estilo
Onde está o Fábio.
12.7.06
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Quarta-feira, Julho 12, 2006
by WILSON T
Deriva XXI
Quem conhece realmente o mundo.
É execrável a consciência das coisas sem beleza
um ditador sentado em esforço numa sanita dourada
o chefe tirando macacos do nariz
um assassino de cócoras em aflição no meio do nada
um violador pelas pernas fazendo chichis
e nesse momento
talvez
talvez
talvez
o mundo nem seja aquilo que se diz.
8.7.06
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Sábado, Julho 08, 2006
by WILSON T
Deriva XX
Afastei-me das palavras neste silêncio autoinquiridor. Andei por aí
à procura de chão.
Sempre as mesmas perguntas
sem respostas. Muito provavelmente mal equacionadas.E talvez não. O mundo
o meu mundo
não é redondo mas antes uma infinitude plana. As próprias questões que me coloquei desvanereceram num fim de tarde
e ficou apenas o azul do mar transbordando no céu. A exacta linha do horizonte que julgamos lá atenuou-se
se não desapareceu. E perdi o equilíbrio.
Atirei-me ar dentro para enlouquecer-me do nada. Do indescritível.
E andei olhando a areia das coisas
os fragmentos de madeira de barcos que desapareceram as conchas de bichos que morreram
lixo
frases soltas de algum diálogo afogado na desgraça dos amantes.
E os barcos
terão morrido de amor. Como os bichos.
3.6.06
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Sábado, Junho 03, 2006
by WILSON T
Deriva XIX
Todos os sons que ouço
ainda agora a senhora Belmira ou o Frank Sinatra no gira-discos
tudo isso é feito memória e arquivado.
Com a morte deste corpo a memória desaparecerá. Ainda bem que há o cd e o dvd e o vinil.
Para a senhora Belmira não vai valer de muito.
25.5.06
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Quinta-feira, Maio 25, 2006
by WILSON T
Deriva XVIII
Homens que não falam nem se olham. Correm montanha acima e escondem-se em cavernas
e com medo dos obuses e napalm
sentam-se em noites frias à volta da fogueira solitária.
Entoam murmúrios selváticos de ignorância e até
quem sabe quem pode dizer
da simplicidade humana de quem vive junto dos primórdios e das necessidades básicas à luz ténue da evolução humana.
Mas os sobas que aprenderam e se fizeram eleger para os lugares de comando
ah esses sobas tantas vezes mais cegos e perdidos em refinadas confrontações ideológicas
esse são na verdade os grandes arquitectos da desgraça.
24.5.06
Posted
Quarta-feira, Maio 24, 2006
by WILSON T
Deriva XVII
O tempo anda-me fugidio como uma água rara
que desfaz as dunas de um deserto de pensamentos amontoados por vento errante. Sem qualquer ordem que a mão
preguiçosa
nada tem organizado. Não me tenho sentado verdadeiramente
com uma chávena de café ou um copo de vinho tinto
as horas suficientes. Mas vou-me por aí desalinhado aos encontrões às coisas
a ver se as coisas me encontram.
23.5.06
Posted
Terça-feira, Maio 23, 2006
by WILSON T
Deriva XVI
Noite adentro fui-me chegando a um beijo sorridente no nada bastante
e gaivotas descarrilantes despejavam já o sal com que haviam roubado a alma ao mar e dado a cor aos céus. Caiam brilhantes sobre a imensa escuridão das coisas todas e ironizavam musicalmente dos rostos fechados da gente séria daquele dia. Dos desolhados
pessoas que já não eram pessoas não conseguiam parar de viver
e assim andavam esquecidas dos espelhos que estão nos olhos dos outros. Andavam mesmo desolhados
por mais incrível que isso vos possa parecer.
E estes sais aerotransportados nas asas de aves salvadoras e marítimas
(as aves que acompanham barcos sempre tiveram outra consciência)
plantavam um doce ardor na pele. Uma canção subepidérmica inaudível como sabemos
no espaço infinito que existe entre a pele e o corpo.
(será lá também que fica a alma)
Sorrisos subtis que não têm explicação nem outro nome
um deserto inteiro chegado numa poeira fina aos olhos e à pele. E fui-me adentro
mais e mais o quanto pude. Para cegar todo eu nesse prateado nascer da noite.
25.4.06
Posted
Terça-feira, Abril 25, 2006
by WILSON T
Deriva XV
Tinha de escrever uma frase que retirasse o texto anterior daqui
porque ele é mesmo mau e estava a deixar-me doido. Quem terá escrito tal coisa. Há coisas do-arco-da-velha.
Deve haver algum sacana que entra no blog sem eu saber.
Eu não escrevo assim tão mal.
19.4.06
Posted
Quarta-feira, Abril 19, 2006
by WILSON T
Deriva XIV
Sai do cinema um casal. Outro dirige-se
para o cinema. As mulheres
jovens raparigas em idade de casar
(qual é a idade para casar)
olham-se
sem nunca trocarem olhares. Medem-se
apreciam-se
avaliam-se.
E em perguntas silenciosamente balançadas
ao sabor da ganga das ancas
e do subtil sapateado feminino
marcando território ou um pouco mais
conforme o jeito
muito mais a que viu ilusões na tela
se questionam selvagens
(E se quisesse o teu homem)
em pensamentos nús.
14.4.06
9.4.06
Posted
Domingo, Abril 09, 2006
by WILSON T
Deriva X
Chove muito e por momentos choro. As águas a confundirem-se. O amor a confundir-se nelas.A beleza banhada na manhã.
E pensar que já não há amor que chegue para todos. Que o amor pode esgotar-se e todos teremos sede.
E que as pessoas já não cuidam dos seus amores, olham-nos com um descaso que o amor não admite.
E os trocam como se fossem coisa. E que assim o amor pode desaparecer da face da Terra. De fome, de sede,amor e pessoas. Banidos.
Uma tragédia ecológica.
Silvia Chueire
(correcção ao texto anterior Deriva X)
7.4.06
Posted
Sexta-feira, Abril 07, 2006
by WILSON T
Deriva XIII
A morte é fétida. Nascemos para viver. Ainda neste momento em que observo um pássaro preto e branco
penso em todos os pássaros que existirão. Não
não quero conhecer todos e saber o seu nome. Mas devia ser eu a decidir quando me chegasse. Todos deviamos poder decidir
não como uma eutanásia
como uma chama que lentamente sossobra ou o próprio vento que vai por aí.
Todos
os amigos
assistiriam a esse esfumar-se. E como se nos inspirassem
ficariam com uma parte de nós absorvida no sangue. Uma droga boa. E ficariam inebriados de silêncios.
Todos
aqueles com quem temos ligações
veriam a nossa transformação num perfume ou na própria flor
ou ainda numa coisa mais firme. Numa árvore. Sim
eu não me importava de me ficar por aí com raízes. E um dia atirava-me ao chão no Outono
no meu Outono.
A morte é uma coisa fétida.
Pessoas cidades livros
e mais.
6.4.06
Posted
Quinta-feira, Abril 06, 2006
by WILSON T
Deriva XII
Ponho-me a pensar. No mais escuro de mim procuro o pensamento molecular
abstrair-me do todo que me rodeia
silenciar os vícios da existência os sentidos.
Pergunto-me se será possível que a humanidade transporte hereditariamente mais do que as suas características físicas.
Pergunto-me se o Homo sapiens sapiens traz nas suas moléculas nos seus átomos outra informação
aquela que se adquire pela experiência tal como se defende que há evolução.
Pergunto-me se traremos connosco as vidas de nossos antepassados. Seus temores
talvez outras emoções. Ódios velhos e angústias. Sorrisos e gargalhadas
talvez a felicidade de um longo caminho. A beleza de múltiplas e agradáveis imagens
mas aqui parece-me que ainda não saímos das árvores.
4.4.06
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Terça-feira, Abril 04, 2006
by WILSON T
via e-mail:
voa
Há um retrato de sensualidade na tua voz
Como um sussurro que nos perturba a alma
Uma espécie de canto de pássaro que me eleva...
Tu cantas as palavras de uma forma singela
Poética, feito ave de rapina
Selvagem que voa sobre destino incerto.
Cheira a liberdade
A corrupio dos corpos que se entrelaçam desmesuradamente...
E ninguém dá por nada
Silêncio paira num espaço obliquo que vivemos
Ninguém nos ouve nesta cidade plana
Com noites inquietas
Sobrevoando sobre tremores da madrugada.
Paz que nos flúi no sangue
Sobre perguntas sem respostas
Todas elas estão no fundo dos meus olhos
No encaixe dos meus segredos.
Ruelas perdidas sem nome
Veios de essências e incensos
Velas acesas que me perduram na alma...
Sem pontuação
Sem mestria
Na humildade das letras
Componho a melodia que te sai da alma
Em efeitos de canto
De pássaro que vai e não chega
Que se transforma e se funde numa ave com o meu nome.
Joana Sousa Freitas
15/03/2006. Lisboa
28.3.06
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Terça-feira, Março 28, 2006
by WILSON T
Deriva XI
Estou confortavelmente sentado no meu carro. Está um sol principiante de Primavera
mas muito bom. Leio. Quase me apago com um sono manso que me chega embalado na música da rádio. Diana Krall.
Vim trazer um amigo ao hospital para um curativo. Pelas brechas dos olhos vão entrando pessoas para as urgências
um outro mundo. A maior parte da cidade está a leste deste subúrbio da dor. Do sofrimento.
Até um dia. Até um dia.
À minha frente a condutora de uma ambulância está também confortavelmente sentada
parece-me que ouvindo Diana Krall e fazendo malha ou tricotando.
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Terça-feira, Março 28, 2006
by WILSON T
Deriva X
Chove muito e por momentos choro. As águas a confundirem-se. O amor a confundir-se nelas.A beleza banhada na manhã. E pensar que já não há amor que chegue para todos. Que o amor pode esgotar-se amanhã.E todos teremos sede. E que as pessoas já não cuidam dos seus amores. Já os trocam como se fossem automóveis. E que a amor pode desaparecer da face da Terra. Uma tragédia ecológica.
Silvia Chueire
23.3.06
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Quinta-feira, Março 23, 2006
by WILSON T
Deriva IX
(Oração)
Chove muito. A relva está muito verde. A relva está muito molhada. As gotas de água penduradas na relva nas flores nos arbustos parecem pedras preciosas. Diamantes efémeros. E pensar que em tantos lugares não há água para matar a sede. E pensar que noutros ela mata de enxurrada. E pensar que cada vez há menos água potável. E pensar que nunca dominaremos a sua vontade. E pensar que não temos respeito nenhum por ela.
Estou de joelhos num lugar quente seco e aconchegado e bebo um copo de água. Fecho os olhos.
22.3.06
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Quarta-feira, Março 22, 2006
by WILSON T
Deriva VIII
A Terra acabei de beijar prostrado. E grãos de castanho tomaram os meus lábios de assalto. A cor molhada do cheiro a sempre
aspirou ser
a artística pincelada de um louco. Mais do que um grito
talvez o próprio mito
do humano amor
que na loucura não quer deixar morrer.
21.3.06
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Terça-feira, Março 21, 2006
by WILSON T
pesam-me as pápebras
de um sono antigo
um sonho sedutor
e sempre
quero descansar os olhos
Silvia Chueire
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Terça-feira, Março 21, 2006
by WILSON T
Recebido por mail:
Sem Título
Não me sentes.
Procuras por todos e eu não estarei.
Só quando desistir
E, cansado, o teu coração
Vier comer em mim
O fogo da Fénix,
Olharás para dentro e dirás:
Perdi-te à tua procura.
Amor, agora fica.
Gonçalo Miragaia
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Terça-feira, Março 21, 2006
by WILSON T
Recebido por mail:
Sabor a Cinza
Fumaste-te e repugnaste-te.
Estás consumido, dorido, ninguém.
Rasteja outra vez, pois sem ti,
Não serás tu outro alguém?
Dói-te a alma, as mãos, a face envergonhada.
Mostra-te apenas a quem o merecer...
Encontrar-te-ás nessoutro?
Jamais, não sabes nada.
Quem?
Gonçalo Miragaia
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Terça-feira, Março 21, 2006
by WILSON T
Recebido por mail:
O teu olhar adivinhando-me o corpo, buscando-me a alma.
Adivinho-te, busco-te.
As tuas palavras verbalizando-nos.
És. Sou. Nós.
As tuas mãos em mim. As nossas mãos confundidas, buscando o improvável intocado.
Percorres-me a pele, o sangue fervendo. Percorro-te a pele, o sangue transbordando de nós.
O mundo esquecido. Do mundo esquecidos.
Criamos o outro, íntimo, único, uno, nosso.
Descobrindo-me para ti, descobri-me, mulher.
Corpo, meu feito teu.
Alma, minha feita mundo.
Corpórea, a alma, feita dádiva à terra.
Elisabete Anastácio
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Terça-feira, Março 21, 2006
by WILSON T
Recebido por mail:
No silêncio
Aos nossos pés as ondas quebravam na praia
E a noite foi-se abatendo sobre nós
Tomámos conta do tempo, fizemo-lo nosso
De mãos abertas tacteámos o mundo
Na areia desenhámos labirintos, espirais de vida
Das cores e das flores que nos vestiam criámos jardins suspensos
Das ervas secas tecemos tapetes voadores
Viajámos na distância e no tempo sem fim
As palavras por dizer ganharam o sentido impossível
Os pés descalços percorreram-no
No silêncio Nós
Elisabete Anastácio
18.3.06
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Sábado, Março 18, 2006
by WILSON T
Deriva VII
As minhas pálpebras pesam
17.3.06
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Sexta-feira, Março 17, 2006
by WILSON T
Deriva VI
Estou encostado a um vidro duma janela enorme duma casa enorme
que não é minha obviamente. Uma janela assim só existe em casa projectada por arquitecto
com muitos engenheiros à volta e paisagistas a pensarem a paisagem ou o que se vai ver dela depois da obra concluida. E eu não teria dinheiro para pagar esta sumptuosidade.
Para dizer a verdade
ainda não tive dinheiro para comprar janela nenhuma. Vivo em quarto alugado e as janelas do meu carro
são de um carro que o meu pai me ofereceu. Além disso
são pequeninas e a paisagem está sempre mudando.
Aqui tenho uma relva verde do lado de lá do vidro que vem com este tipo de janelas e linhas rectas da nova arquitectura
que
na verdade
já é muito antiga. Basta olharmos para as pirâmides do Egipto.
Chove.
O estore desta janela tem pelo menos quatro metros de comprimento.
Chove. E pelas lâminas do estore
autênticos flaps de avião
escorrem grossas gotas de água no reencontro do destino.
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Sexta-feira, Março 17, 2006
by WILSON T
Deriva V
Fico para aqui sozinho a pensar nas coisas
naquilo que gostava de fazer ou de ter feito
pois os anos somam-se.
Olho e imagino-o na parede branca e é um descanso poder ficar assim a olhar a parede branca
(talvez fosse bom passear à beira-mar)
como se o tempo fosse aquela linha imaginária arco-íris circular.
Bem
já passou muito tempo e pensar cansa
não vou fazer nada a não ser continuar aqui a olhar aquela parede branca.
Até ler cansa muito
(talvez pudesse ir até um café
fumar um cigarrito)
e estou demasiado ansioso para também ficar cansado.
Fumo mesmo aqui e já não vou ao café.
14.3.06
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Terça-feira, Março 14, 2006
by WILSON T
Deriva IV
Comprei um caderno às riscas. Desses para escrevinhar ou desenhar. Eu uso para tudo
notas de viagem e devaneios e diário de coisas esquisitas e desenhos
adoro desenhos.
Mas não é daqueles da moda
porque eu detesto modinhas
é um caderno às riscas a tenderem para o castanho dourado que o fundo é mesmo castanho.
Riscas ao alto
que não gosto de riscas na horizontal porque me confundem.
Não é nenhum Moleskine ou o diabo a sete
já disse. Não é desses da moda. É um dez por quinze. E para o tornar diferente desenhei logo na primeira página um hipotético retrato de Fernando Pessoa. E não me digam que é mania. E se for.
10.3.06
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Sexta-feira, Março 10, 2006
by WILSON T
Quando olho sei que fotografo,
descubro a permanência da luz,
das nuances de luz,
para sempre.
quando olho ao modo de fotografar
incidindo a lâmina da imagem em mim,
a alma da circunstância, a imagem,
sei que estou para sempre cativa
e um vento frio me percorre o corpo.
Silvia Chueire
depois de Deriva II
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Sexta-feira, Março 10, 2006
by WILSON T
Deriva III
É trabalho honesto. Ganho mal. Escrevo coisas para as pessoas. E admito que às vezes as frases não trazem nada dentro senão fome. Mas é sentida.
8.3.06
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Quarta-feira, Março 08, 2006
by WILSON T
Deriva II
Uma fotografia é uma faca profunda e ácida na carne dos vivos. Se olharem bem
verão a alma dos antigos saindo pelos olhos
clamando uma existência. É neles que recolho a luz que me enlouquece
um vento frio que me atirará ao chão.
Quando olho estas fotografias acredito que a máquina lhes roubou a alma.
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Quarta-feira, Março 08, 2006
by WILSON T
Deriva I
Sentei-me a uma velha secretária. Uma escrivaninha à antiga
daquelas que os meus sonhos gostavam de ter. Livros atrás das costas. Muitos livros. Uma vida de livros.
Sentei-me nervoso a olhar para eles. Voltado de costas para tudo para a secretária. Não conseguia enfrentá-la
nem a folha que jaz morta e branca. Viro-me
para as mãos e reflicto um momento sobre a pele que observo e a carne e os ossos debaixo dela.
-- Serás pó. Mas onde se entranhará a essência dos sonhos e das ideias.
E o que sinto
-- Poderá ficar na memória dos elementos. Do oxigénio que alguém venha a respirar ou do carbono tornado escrita daqui a muitos séculos.
poderá dexistir ou não. Talvez um mero mas fascinante brilho
do amor à vida
que a vida circunscreverá
a mais um ponto de luz no infinito.
23.2.06
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Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006
by WILSON T
-- Bom dia senhor doutor. Como vai.
-- Senhor engenheiro obrigado. A saúdinha aguenta-se
é o que é preciso
não é.
-- Haja saúde que vamos fazendo pela vida.
-- O Estado é não nos deixa fazer mais
os impostos
os ministros
tudo a fazer de conta
pá.
-- Pois pois.
-- Ainda agora estive com o meu contabilista a ver se consigo pagar menos IRS
o tipo sabe lá uns esquemas
é que doutra maneira não dá
pá.
-- Pois pois.
-- Qual Europa. Europa é para o norte. Aqui não ganhamos para o pão.
-- Pois pois. O senhor doutor é que sabe. É bem verdade o que diz.
-- Não tenha dúvidas
anda tudo a fugir. Tudo a fugir
é transversal à sociedade
pá.
Uma vergonha
é o que é. Falta de cultura
pá.
-- Pois pois.
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Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006
by WILSON T
Isolado da rua por um vidro
o dia parece-me belo. Como aliás outras coisas
o que não é nada de extraordinário. É até bem ordinário dizer-se uma coisa destas.
Lá fora há vento gelado
cá dentro há um mofo quente. Lá fora e cá dentro
que lindo.
-- Olha aquelas árvores entraram em florescência.
-- Parecem-me japonesas. Aquelas dos desenhos. Como se chamam.
-- Oh pá.
22.2.06
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Quarta-feira, Fevereiro 22, 2006
by WILSON T
Voltando
Caí os olhos sobre a relva. O dia estava cinzento e frio cá dentro. Fora de mim
chuvia uma água que me parecia inútil e talvez até fosse. As certezas são sempre um mau cenário para a vida
e assim tudo se resume a um caminho para nenhures. Tudo bem tudo melhor. Pegarei no pápis
sim
escrever a lápis para poder apagar ou resistir à pulverização. Assim nos aturem.
(Um dia destes ainda vou usar vírgulas.)
3.1.06
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Terça-feira, Janeiro 03, 2006
by WILSON T
lambe o verso
mais do que a palavra apenas
lambem-no os olhos desmedidos
do desejo
o corpo oceânico navegado
pela língua
Silvia Chueire
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Terça-feira, Janeiro 03, 2006
by WILSON T
o corpo
en/volto
num cobertor
de palavras de ferro.
allegra
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Terça-feira, Janeiro 03, 2006
by WILSON T
o corpo
em volta
do cobertor
das palavra de ferro.
allegra
Posted
Terça-feira, Janeiro 03, 2006
by WILSON T
Revejo! Me, Te, Nos!
Em cada coisa, a cada momento, em todas as coisas, nos momentos todos.
Nas palavras soltas, nos textos inteiros, na imagem, na música, nos eventos e pessoas do quotidiano, ...
Nos pensamentos. Sempre.
Em tudo TU!
Uma saudade imensa de te ter aqui.
Envolve-me uma doçura, um carinho, um conforto, ...
Todos os outros sentimentos intensos, imensos, infinitos e tão bons.
Uma quasi-loucura...
De amar e ser amado sem limites.
Amar, amar,... Tanto mar de amar.
Um amar que tudo suplanta.
Amar para e pela vida, acima de tudo, por tudo, com tudo.
O que se tem para dar e o que se é capaz de reinventar a cada momento.
Tão bom amar...
Amar só.
Dói de ser tanto mas nunca chegar.
Dói a distância. Dói o outro. Dói a razão...
Dói o pensamento do sentimento
Que só se deixa comandar pelo impulso, pela emoção.
Adormecer e Tu!
Sonhar e Tu!
Acordar e Tu!
TU em TU -do TU!
Vivo-te! Revejo-te! Ouço-te! Sinto-te!
Recorda-se o cheiro, o calor, a voz, ...
Quente, envolvente, forte e suave a um tempo só.
Tudo tão intenso, poderoso, capaz de mover tudo de bom ou menos bom.
Um laço forte, especial, único
Une e unirá.
Nunca quebrado!
As sombras quase vencem de quando em vez.
Mas é o céu claro, aberto, enorme
Que no seu azul ad eternum permanecerá.
Para sempre! Nós!
Elisabete
1.1.06
Posted
Domingo, Janeiro 01, 2006
by WILSON T
Não é costume.
Não costumo publicar elogios. Este tinha de colocar aqui porque é sobretudo para as outras pessoas que aqui costumam escrever.
~
Sou brasileira, de São Paulo. Estava a procurar informações de Aveiro no google e de repente me deparei com uma lista de blogs com dicussões políticas e literárias. Eis que este, não o primeiro, mas o terceiro da lista foi o único que me chamou a atenção. E não foi que amei? Belas poesias que não vejo no Brasil há tempos. ´Chego mesmo a me perguntar se vcs têm uma alma poética, uma alma pessoana que só alcançamos quando convosco temos contato, quando nos deparamos com os séculos de hisstória construídos.
Parabéns a vcs.
Maybi
25.12.05
Posted
Domingo, Dezembro 25, 2005
by WILSON T
Corpo atirado à água da tua boca
auscultando o céu que pende
sobre a língua que procura
lamber o uni (co) verso.
Posted
Domingo, Dezembro 25, 2005
by WILSON T
Corpo esquecido nas ondas
Corpo em demanda
Pousado numa almofada
Bordada em fundos de mar
Corpo enrolado nas chamas
Matéria inteira, grosseira,
Gume afiado
Caravela de esperanças
Soltando lembranças
Dentro de um coração apertado
Corpo em ritmo de memória
Corpo envolto em algas
Tempestade de desejo
Palavras em Linha
Posted
Domingo, Dezembro 25, 2005
by WILSON T
Feliz Natal.
Saúde. Paz. Amor. O abraço humano.
16.12.05
Posted
Sexta-feira, Dezembro 16, 2005
by WILSON T
de ti
tenho de ti uma quase-memória
tão nítida como se o fosse.
a lembrança vívida do desejo
a dar passos líquidos,
lentos.
tenho de ti a sensação oceânica
de entrega e posse,
do corpo esquecido nas ondas.
num universo rítmico.
silvia chueire
10.12.05
Posted
Sábado, Dezembro 10, 2005
by WILSON T
Tenho estado calado. O silêncio preenche o papel na minha frente. Limito-me
para não dizer asneiras
a enviar-te um beijo em forma de caravela. E ele aí vai ganhando caminhos
céus e tempestades
para aportar no mistério do encontro com novos lábios. Nas praias do teu país da tua calmaria
do teu lugar imaginado
como se houvesse paz entre nós entre todos.
Esse mar todo profundo é mais do que a espuma onde navegamos. E este beijo leva
na sua infinita pequenez
esse mergulho de esperança. Um silêncio que te escuta.
4.12.05
Posted
Domingo, Dezembro 04, 2005
by WILSON T
Alcançar as nuvens?
Dar asas aos nossos ventos
Exportar os pesos quesilentos
Encher de ânimo o aeróstato
E as nuvens são já ali por certo.
Bento Barbosa
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Domingo, Dezembro 04, 2005
by WILSON T
Olhos dormentes, soluços ao luar, choros ao vento...
Triste perfis os mais vagos contornos
Noites de saudades remotas que eu recordo
Noites de solidão que do além despertam
Junto à elas ilusões, de um dia te teres de novo em meu peito.
mas que na imenso azul de estrelas fantasia, Bordo de dourado seu nome
Vou constelando de visões ignotas
Sutís palpitãções á luz do Luar
Que minhas lagrimas refletem a presença sua ...
Vanessa Melsi
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Domingo, Dezembro 04, 2005
by WILSON T
Ninguem abra sua porta;
Para ver o que aconteceu,
Saimos de braços dados;
A solidão e mais eu.
Ela não sabe meu rumo;
Eu não lhe pergunto o seu,
Não posso perder mais nada;
Se o que houve já se perdeu.
Vou pelo vento da noite
Á procura de tudo que és meu
A dor de um amor que se esconde
Mas que na verdade nunca foi seu.
Vanessa Melsi
30.11.05
Posted
Quarta-feira, Novembro 30, 2005
by WILSON T
Já tenho Internet
Desfiz a cegueira
Liguei-me, citei-te,
Escolhi uma imagem
Olhei para o mundo,
Tive a sensação
De tudo ser meu;
Já tenho Internet
Já posso espreitar,
Ligar-me, citar-te,
Escolher as palavras
Dizê-las à toa
Escrevê-las, prendê-las,
Soltá-las da mão
Fazê-las voar.
Palavras em Linha
Posted
Quarta-feira, Novembro 30, 2005
by WILSON T
Ser poeta
É da dor criar algo belo
É pensar no amor
E reviver ao escrevê-lo
Ser poeta
É mergulhar nas ondas
Naufragar a tempestade
Esquecer as afrontas
Ser poeta
É escavar no sentimento
Soltar a resina
Estancar o momento
Ser poeta
É sê-lo não dizê-lo
É cantar para fora
O que nos roi cá dentro
Abrir as entranhas
E espalhá-las ao vento.
someone
21.11.05
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Segunda-feira, Novembro 21, 2005
by WILSON T
alcançarei as nuvens?
decerto não.
pesa-me o corpo,
pesa-me a alma.
as palavras fugiram de mim
e eu fiquei com os olhos
fechados sobre a página.
allegra
18.11.05
Posted
Sexta-feira, Novembro 18, 2005
by WILSON T
Sufoco-me de instantes; esperança feita de dias acabados.
Os amanhãs ficaram em linha e eu suspensa lançando o olhar em projecto.
Bicos de pés saltitam sobre a garganta forrada a verde-musgo.
Alcançarei as nuvens?
Palavras em Linha
16.11.05
Posted
Quarta-feira, Novembro 16, 2005
by WILSON T
Sentada na cadeira à espera que chegue
Os olhos começam a arder, caiem antes dela
E num repente bate-me nas costas
sacode-me
esmurra
Ergo-me aflita buscando consolo na casa vazia
o coração aperta, aperta antes dela
É a noite, chegou
mrf
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Quarta-feira, Novembro 16, 2005
by WILSON T
Acendíamos as velas e ficávamos ali a ouvir os espíritos que passeavam tranquilos no corredor. Às vezes abríamos as janelas e saíamos por elas, olhos nos céus. outras vezes deixávamos a noite entrar. mas se estava muito cerrada não se curvava. da sua profundidade e negritude lançava apenas um pouco de neblina. o suficiente para estremecermos.
Foi assim a última noite.
Na véspera da luz. A instalação estava pronta. Vi-os entrar com os lustres. Vi-os suspenderem-nos. a todos. eles e nós. Eram diferentes dos que já ornamentavam os passeios públicos.
Esse dia que parecia nunca mais acabar, dia que se quis logo noite. para a noite deixar de o ser.
As luzes eléctricas apagaram estrelas e galáxias. mataram espíritos. hoje os dias à noite revelam corredores despovoados. velhos cotos de vela abandonados.
céus sem olhos. que aterrorizam os homens
Lilly Rose
4.11.05
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Sexta-feira, Novembro 04, 2005
by WILSON T
A noite entrou rapidamente pela sala dentro cobrindo tudo
(Ainda pensei que fosse mais um aglomerado de nuvens em conspiração
contra as minhas horas actuais o presente o agora.
mas nada disso. Ignoram-me e já partiram há muito. Ou não
mas nada disso interessa. Nem as vejo nem a noite se importa. O céu está profundo e negro como se víssemos para dentro de um poço e conseguíssemos contemplar na sua frieza invernal
com as mãos assentes em verde húmido e macio musgo
galáxias distantes
planetas e estrelas dentro de nós.
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Sexta-feira, Novembro 04, 2005
by WILSON T
A felicidade a sorte de ter amigos e amigas que escrevem bem
e escrevem para o Escrita Solta
é uma coisa muito boa.
Obrigado. Que se estende que se reforça
aos leitores. Companheiros
tantas vezes apenas
de silêncio.
Posted
Sexta-feira, Novembro 04, 2005
by WILSON T
mergulhar as mãos
na eternidade de cada dia
o corpo a caminhar feroz
e manso contra o tempo.
Silvia Chueire
3.11.05
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Quinta-feira, Novembro 03, 2005
by WILSON T
Decidi
olhar o céu estes dias cinzento ora
de um azul cristalino
de chuva envergonhada e
sempre com um intuito um prazer uma necessidade
reduzir tudo a um pedaço de eternidade.
31.10.05
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Segunda-feira, Outubro 31, 2005
by WILSON T
Direi que amo
direi mel
saliva
Direi ferida
lábios
madressilva
Direi febre
flancos
ambarina
Direi
e sob as palavras oiço
nenhum rumor de lume
Soledade
27.10.05
25.10.05
Posted
Terça-feira, Outubro 25, 2005
by WILSON T
Que pensar daquele poste de iluminação.
A sua luz amarela e fraca corta verticalmente este pedaço de noite que é o meu horizonte. À sua volta perdem-se insectos voadores. Mosquitos e outras coisas. Coisas de que nunca vou saber o nome vulgar. Muito menos o nome científico e quantas asas têm e quantas antenas têm e
(Afinal porque digo eu isto em voz alta. Porque parei eu o carro no meu da estrada e fiquei a olhar para um poste com mosquitos em torno dessa luz amarela e fraca e
que coisa fazem eles para comer e para se reproduzir. De que maneira são importantes para aquilo a que se chama equilíbrio ecológico ou meio ambiente ou qualquer coisa assim.
que afinal me deteve como se nela houvesse uma resposta.)
Apeteceu-me ficar ali. Parado. E não era capaz de desligar o carro. Alimentava a ansiedade com o seu barulho. Como se respirasse o fumo do escape
e o fumo do escape tivesse altas doses de nicotina. Fiquei ali uma boa meia hora. Olhei aquele poste de iluminação uma insistente meia hora de desperdício.
-- Quantas meias horas tem uma vida -- perguntei para o alto. E perguntei também
-- Que fazem as pessoas a esta hora.
18.10.05
Posted
Terça-feira, Outubro 18, 2005
by WILSON T
com asas sobrevoar o teu corpo em flor homem
e transformar o odor da tua saliva em pólen
pousar as patas nos teus lábios
sugar-te
fazer-te mel
e nem saberes
lilly rose
12.10.05
Posted
Quarta-feira, Outubro 12, 2005
by WILSON T
se puderes agarrar o que eu vou atirando
se o mel te tocar e te arder uma ferida que não conhecias
se te humedecerem os meus salpicos felinos
e parares espantado
e depois te voltares
para só encontrares o ar que sopra
sobra de mim
e se não fores o amo que lança a águia
nem o mestre que doma o cão
sê o homem de ânimo nas mãos
aquele cujo corpo é querer
porque só assim
saber agarrar é poder
mrf
---
(obrigado)
11.10.05
Posted
Terça-feira, Outubro 11, 2005
by WILSON T
as artérias a sangrarem
a vida a sangrar-nos
o poema desfeito
na casa desfeita.
silvia chueire
---
(obrigado)
8.10.05
Posted
Sábado, Outubro 08, 2005
by WILSON T
Ela passava de mão dada com ele e deitava o olhar sobre as coisas.
Tinha um olhar mel. Escorregadio.
O movimento do corpo por entre as pessoas deixou doce e picante aquele momento
e do canto do olho
do mexer das pernas
lançou um incómodo vigoroso aos aprendizes de homem.
29.9.05
Posted
Quinta-feira, Setembro 29, 2005
by WILSON T
Quarto desarrumado. Meias espalhadas pelo chão. Usadas.
Alguma roupa
e uma infinidade de papéis e fotografias antigas e livros.
Tudo desarrumado e coerente com o dia.
-- Está com muita sorte em ter um emprego
que isto não está nada fácil e ter dinheirinho para pagar as contas é muito bom -- disse com o ar de quem o pode dizer. E repetiu de outra forma
-- Sorria vá lá que há quem esteja pior -- e continuou sorrindo como quem pode.
Vida desarrumada lançada para as artérias do corpo como um veneno
sabe-se lá por que razão. Por que razão há-de uma pessoa sentir-se perdida em tanta bondade. Em tanta consciência. Afinal o mundo
E coincidimos neste pensamento
(afinal o mundo tem gente mais infeliz.)
de grande clareza humana e social. Uma boa merda deve dizer-se.
O veneno que o coração bombeia para o corpo
E coincidimos neste pensamento
(O corpo é o lugar onde está a alma. A casa dos horrores.)
corrói o espírito e nenhum espírito suplanta a sua desgraça privada olhando o chão
a lama onde outros estão ainda mais enraizados. Atolados
nessa inocência.
-- Você é um sortudo vá lá -- disse-o com sapiência. Coisa de velho que sabe da vida. Coisa de velho antigo nas manhas da estrada. Coisa de doutor.
-- Senhor Professor -- correspondeu com parcimónia e reverência e um ar algo interrogativo-- quer que lhe dê um beijo no cú.
E esta última pergunta que se pôs nele a galopar
virá a ser o mote de uma manhã futura. Quem sabe.
Meias lavadas. Uma fotografia da Chicholina espalhada pelo chão e alguns livros cheirando a chulé.
17.9.05
Posted
Sábado, Setembro 17, 2005
by WILSON T
de tantos que eram
os meus cabelos já andavam perdidos
eles e os adereços femininos
que ostentava ou deixava escondidos
de cabeça rapada e cuecas de homem
removi os totens que me assombravam
e por tautologia
lancei armas, penetrei damas
sempre esquivo
sem ajoelhar aos pés da cama
mas do que vos conto, lembrai primeiro
sem outro remédio nunca deixei
de abrir as pernas a terceiros
MRF
16.9.05
Posted
Sexta-feira, Setembro 16, 2005
by WILSON T
Diziam-lhe tantas vezes
-- És bonita
e reforçavam
como uma deusa deitada de pernas abertas.
Mas não se deu que uma pessoa apenas se ajoelhasse e lhe beijasse as mãos
levando-as depois a ler nas rugas da pele a intemporalidade de uma presença mais longa que um orgasmo.
Portanto
fez o que fez e não olhou para trás.
Rapou o cabelo que emoldurava
em dourado
um suposto retrato de diva. E passou a usar cuecas de homem.
Posted
Sexta-feira, Setembro 16, 2005
by WILSON T
Eu rasguei todas por me sufocarem de ironias e desejos falsos. Porque não libertar um espaço cheio de papeis de odor cruel? Porque não me libertar de ti? Hoje és só isso, um monte de papel amassado que um dia foi fragância de ilusão. Rasguei todas! Vou queimar cada pedaço, talvez inale o fumo, os meus pulmões vão gostar de te destruir.
Celisol
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Sexta-feira, Setembro 16, 2005
by WILSON T
há nas cartas uma liberdade
ou uma tentação
líquida.
supoem que as palavras são menos
contundentes
do que as armas brancas,
ou os gestos amorosos.
enganam-se.
Silvia Chueire
depois de
Conservo a tua carta fechada. Bastou-me lê-la uma única vez. Como nos arrogamos o direito de animar os outros com excessivas doçuras
ou deitá-los abaixo com a injustiça afiada. Espetada certeiramente no coração ou na jugular. Como. É a pergunta que faço.
8.9.05
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Quinta-feira, Setembro 08, 2005
by WILSON T
Conservo a tua carta fechada. Bastou-me lê-la uma única vez. Como nos arrogamos o direito de animar os outros com excessivas doçuras
ou deitá-los abaixo com a injustiça afiada. Espetada certeiramente no coração ou na jugular. Como. É a pergunta que faço.
31.8.05
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Quarta-feira, Agosto 31, 2005
by WILSON T
Decidiu arrancar a pele do corpo por estar farto da sua aparência mundana. Farto de uma coberta de sarna cheia de crosta
que o impedia de sentir a aragem suave e quase imperceptível. Mesmo a respiração dos outros.
30.8.05
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Terça-feira, Agosto 30, 2005
by WILSON T
O escritor estava farto de opiniões. Da dele próprio sobre o que escrevia. Cansado. De modo que
subtilmente
como aliás era seu apanágio no papel que decidia desbravar com uma violência íntima
fechou a sua pessoa física num quarto
(Um escritor é impossível de prender.)
e riu tranquilamente cioso da beleza do gesto e da palavra que naquele momento eram apenas seus.
Depois como as coisas inesperadas disse em voz alta sabendo que ninguém o ouvia
-- Sinto manhãs eternas de nevoeiro em versos impossíveis. A noite virá
não teve medo.
e será para sempre
o que é bom. E entre a manhã e a noite o azul terreno. Contemplarei.
Pegou no seu último livro ainda as páginas aguardando
e cortou os pulsos de onde brotou a sua vida. Um poema vermelho
completamente desinteressado.
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Terça-feira, Agosto 30, 2005
by WILSON T
De manhã a passarada irrita-me com solenidade
uma espécie de opereta citadina à janela do quarto
e eu sei que não é socialmente bonito dizer uma coisa destas. Que a maior parte já estará a pensar
(Que indivíduo mais mal-formado. Psicopata. Não não. É mesmo |